Investigação tem como base relatos de testemunhas de ataque na Ilha de Utoya, que durou 90 minutos e matou mais de 80

A polícia norueguesa está atrás de um possível cúmplice do suspeito de cometer o ataque duplo de sexta-feira contra prédios do governo no centro de Oslo e contra um acampamento juvenil em uma ilha perto da capital, que deixaram ao menos 92 mortos . O número de mortos deve subir, no entanto, porque a polícia afirma haver ainda corpos não recuperados em prédios de Oslo e até cinco desaparecidos no ataque na Ilha de Utoya.

Segundo informações da emissora pública NRL e da agência de notícias NTB, a polícia baseia essa hipótese em declarações de testemunhas. Os ataques de sexta-feira são os piores lançados na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial. Os atentados também são a maior matança na Europa desde os de 11 de março de 2004 em Madri, que deixaram 191 mortos.

Em uma coletiva, a polícia confirmou que conduz a investigação para saber se havia mais de um atirador no ataque lançado na ilha, que durou 90 minutos . "Não temos nenhuma certeza de que era apenas um atirador. Estamos investigando alegações de testemunhas de que havia um segundo", disse o chefe de polícia Sveinung Sponheim.

"É muito difícil saber se o atirador atuou sozinho ou se fazia parte de uma rede", disse, acrescentando que o suspeito preso na ilha admitiu ter disparado contra as pessoas no local. O principal suspeito "confessou que esteve em Utoya, teve acesso a armas e que fez disparos", afirmou Sponheim.

O suspeito do massacre da ilha foi identificado como um norueguês de 32 anos, ligado à militância política de extrema direita e aparentemente um cristão radical. Ele entrou no local onde era realizado um evento da ala juvenil do governista Partido Trabalhista com uma roupa parecida com um uniforme da polícia e foi preso após o incidente.

Até agora, a hipótese era de que ele havia agido sozinho no ataque em Oslo - que deixou ao menos sete mortos - e no massacre da ilha - que matou pelo menos 85. Mas as autoridades em nenhum momento descartaram a ideia de que tivesse cúmplices, sobretudo no atentado ao complexo governamental de Oslo. Os dois ataques foram lançados com apenas duas horas de diferença.

A hipótese inicial era de que o suspeito tinha ativado a bomba que explodiu na capital para depois seguir em direção à ilha, situada a cerca de 40 quilômetros da capital. Neste sábado, a polícia confirmou que o ataque em Oslo foi feito com um carro-bomba.

Segundo Oddny Estenstad, uma porta-voz da Central de Compras Agrícolas, o suspeito havia comprado seis toneladas de fertilizantes no começo de maio. "Vendemos a ele seis toneladas de fertilizantes, o que representa um pedido relativamente diferente", disse. Ela não quis detalhar a natureza dos produtos fornecidos nem se poderiam entrar na composição de explosivos artesanais.

Ele teria conseguido comprar essa quantidade de fertilizantes por ter a empresa Breivik Geofarm, uma companhia agrícola para o cultivo de vegetais.

O duplo atentado foi classificado de " tragédia nacional " pelo primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg. Ele planejava visitar justamente neste sábado a colônia de férias de jovens partidários de sua legenda, onde estavam concentradas cerca de 600 pessoas. 

Relatos de testemunhas

Testemunhas do ataque na ilha de Utoya revelaram que o homem - com traços nórdicos e que falava norueguês - disparou contra as vítimas com um fuzil automático.

Adrian Pracon, jovem de 21 anos que sobreviveu ao massacre, disse ter escapado por ter fingido estar morto, agarrando-se a outros corpos a seu redor. Segundo Pracon, o atirador era muito seguro, calmo e controlado e usava um uniforme negro, com detalhes em vermelho.

"Eu e outros nos deitamos e sobrevivemos por causa dos corpos aos quais pudemos nos segurar e por fingir estar mortos", disse Pracon à rede de TV CNN por telefone de um quarto de hospital. " Pude sentir sua respiração ", contou. "Pude ouvir suas botas."

Pracon disse estar deitado na costa quando o atirador abriu fogo. "Estava a cerca de cinco metros, talvez sete, dele, enquanto gritava que ia matar todos e que todos devemos morrer. Ele apontou sua arma para mim, mas não apertou o gatilho", afirmou.

O rei Harald da Noruega, a rainha Sonja e seu filho, o príncipe herdeiro Haakon, visitaram neste sábado os sobreviventes do tiroteio. O chefe de governo e alguns ministros acompanharam a família real.

"Estou muito impressionado com o que aconteceu", lamentou o primeiro-ministro Jens Stoltenberg. "A Noruega está de luto ao lado dos familiares das vítimas", acrescentou. Stoltenberg disse ainda que se emocionou ao conversar com um adolescente que salvou um ferido se jogando em um lago com ele e nadando, carregando o amigo, até a costa, fugindo dos tiros.

*Com EFE, AFP e BBC

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