Polícia britânica prende ex-diretor de tabloide britânico

Neil Wallis, 60 anos, é o nono detido por escândalo de escutas telefônicas ilegais do jornal News of the World

iG São Paulo |

A polícia de Londres prendeu nesta quinta-feira o ex-diretor executivo do News of the World Neil Wallis pelo suposto envolvimento nas escutas telefônicas ilegais tabloide.

De acordo com a Scotland Yard, o ex-diretor de 60 anos foi o nono detido pelo escândalo. Ele foi interrogado em uma delegacia sob suspeita de conspirar para interceptar as ligações. Ele foi preso pela manhã e levado para interrogatório em uma delegacia do oeste de Londres, sob suspeita de conspirar para interceptar comunicações.

Wallis, detido em sua casa em Londres, trabalhou no tabloide em 2003, juntamente com o ex-diretor Andy Coulson antes de ele ser nomeado como diretor-executivo do veículo em 2007. Coulson, ex-porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, foi detido na sexta-feira, mas posto em liberdade após pagamento de fiança.

Negociação

Também nesta quinta-feira, o jornal americano The New York Times trouxe em reportagem que o magnata dos meios de comunicação Rupert Murdoch passou por cima do filho James na decisão de retirar a oferta de compra da BSkyB, enquanto um drama familiar se desenvolvia nos bastidores. Na quarta-feira, Murdoch retirou a oferta para controlar a gigante da televisão por assinatura BSkyB, cedendo à pressão do governo britânico.

Reuters
Rupert Murdoch é fotografado ao chegar em sua casa em Londres (12/7)
Citando fontes próximas às negociações, o New York Times disse que James, filho de Murdoch, pressionou para obter a aprovação legal da oferta, mas que o magnata australiano e o diretor de operações da News Corp. , Chase Carey, passaram por cima dele e só o informaram quando a decisão de recuar na oferta já estava tomada.

Depoimento

Murdoch e James concordaram em prestar depoimento na próxima terça-feira ante uma comissão parlamentar britânica sobre o escândalo das escutas telefônicas.

"A intenção é ir", disse a porta-voz Miranda Higham. "A News Corp. pode confirmar que estamos no processo de escrever à comissão com a intenção de informar que James Murdoch e Rupert Murdoch comparecerão na terça-feira", acrescentou.

O magnata e seu filho James foram convocados formalmente a depor na mesma comissão, após terem recusado um convite inicial feito na terça-feira com a justificativa de que não estariam disponíveis na data marcada para a sessão no Parlamento (19 de julho).

Em nota, os parlamentares britânicos emitiram as convocações formais e reforçaram sua convicção de que tanto Murdoch e James quanto a editora-executiva da News International (divisão britânica da News Corp.), Rebekah Brooks , devem prestar esclarecimentos sobre o "comportamento" da subsidiária sobre declarações feitas por Brooks e Coulson durante audiência semelhante em 2003, que agora "aparentam" ser falsas.

Brooks também concordou em prestar depoimento à comissão parlamentar britânica que investiga o escândalo de escutas ilegais envolvendo o tabloide News of the World. O jornal, que deixou de circular no domingo , era parte da News International.

O vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, disse que Rupert e James Murdoch aceitariam prestar depoimento se tivessem "algum senso de responsabilidade".

Jean Charles

A Scotland Yard anunciou nesta quinta-feira que um primo do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica em um metrô de Londres em 2005, também foi alvo de escutas ilegais do News of the World.

Após a descoberta, familiares, ativistas e brasileiros que vivem na Inglaterra passaram seus dados telefônicos para a polícia checar se houve grampos. A família do brasileiro enviou uma carta ao premiê da Grã-Bretanha, David Cameron, pedindo uma investigação sobre o possível grampo telefônico do qual teria sido vítima Alex Pereira.

Jean Charles foi assassinado ao ser confundido com um terrorista na estação de Stockwell. As investigações foram concluídas sem que ninguém fosse punido.

O jornal News of the World foi fechado devido a acusações de que teria grampeado telefones de familiares de vítimas de sequestro, dos atentados de 7 de julho de 2005 , de famílias de soldados britânicos mortos em combate , e do ex-premiê britânico Gordon Brown , entre outras 4 mil pessoas.

*Com EFE

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