Centro de um escândalo de escutas ilegais, tabloide é acusado de usar vírus de computador para acessar informações particulares

Fachada do edifício da sede da Scotland Yard em Londres (foto de arquivo)
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Fachada do edifício da sede da Scotland Yard em Londres (foto de arquivo)
A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) afirmou neste sábado que uma nova investigação será aberta para determinar se o extinto tabloide britânico News of the World utilizou o serviço de hackers para obter informações.

O jornal, que fazia parte da News Corporation de Rupert Murdoch, está no centro de um escândalo de escutas ilegais de ampla repercussão política na Grã-Bretanha.

Uma nova equipe foi formada para esta investigação, que será realizada em conjunto com o inquérito sobre as acusações de que o jornal monitorou os celulares de milhares de pessoas, incluindo políticos e celebridades.

De acordo com o jornal The Guardian, a investigação acontece após denúncias de que o News of the World teria contratado hackers que enviavam emails com um vírus de computador chamado Trojan. O vírus dava ao hacker acesso total ao computador e permitia que o tabloide compilasse informações particulares.

Inquérito judicial

Na quinta-feira, o juiz britânico Brian Levenson abriu oficialmente o inquérito público judicial sobre o escândalo de escutas ilegais, que ocorrerá paralelamente ao inquérito policial.

A comissão responsável pela investigação é formada por outros seis integrantes, entre eles dois jornalistas, um ex-chefe de polícia e um ativista das liberdades civis.

Segundo Levenson, em primeiro lugar o grupo vai avaliar a legislação relativa aos meios de comunicação e se é necessário fazer alterações. "Haverá um debate sobre os limites da ideia de interesse público", indicou o juiz.

Depois, a investigação vai analisar a relação entre a imprensa, a polícia e os políticos na Grã-Bretanha. As audiências públicas começarão em setembro e o grupo tem 12 meses para finalizar um relatório sobre o caso.

Levenson afirmou que tem o poder legal para exigir evidências das testemunhas e que planeja utilizá-lo, caso elas se recusem a colaborar com as investigações.

"Para algumas pessoas oode ser tentador sugerir que o problema é ou era apenas de um grupo de jornalistas do News of the World, mas eu encorajo a todos a pensar de forma mais ampla sobre o bem público e me ajudar a chegar à raiz do problema', afirmou.

Com AFP, EFE e AP

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