Polícia britânica descarta assassinato de ex-repórter de tabloide

Segundo nota, são esperados resultados toxicológicos adicionais e são investigados problemas de saúde identificados em autópsia

iG São Paulo |

AP
Foto de arquivo mostra ex-repórter do News of the World, Sean Hoare, que foi encontrado morto no Reino Unido
A polícia do condado de Hertfordshire, no Reino Unido, descartou nesta terça-feira que Sean Hoare , ex-jornalista do tabloide News of the World encontrado morto na segunda-feira, tenha sido assassinado, reafirmando que sua morte não é suspeita.

"Não há evidências de envolvimento de terceiros, e sua morte não é suspeita. Agora são esperados resultados toxicológicos adicionais, e está em andamento uma investigação de problemas de saúde identificados na autópsia ", disse a nota divulgada pela imprensa britânica, referindo ao procedimento realizado nesta terça-feira.

Hoare, que tinha 47 anos, foi encontrado morto na segunda-feira em sua casa em Watford, a 30 km a norte de Londres. Ele trabalhou no Sun e no News of the World antes de ser demitido por problemas com bebidas e drogas.

Hoare foi o responsável por muitas das denúncias contra Andy Coulson , ex-editor do jornal e ex-porta-voz do governo britânico, acusado de incentivar funcionários a interceptar mensagens de celular de políticos e celebridades para obter informações exclusivas para reportagens.

Desde que o caso dos grampos veio à tona, Hoare deu entrevistas detalhando a conduta profissional no News of the World. Ao programa Panorama, da BBC, ele disse que as escutas telefônicas eram "endêmicas" no jornal e afirmou também que Coulson havia lhe pedido para colocar grampos.

Em uma entrevista ao jornal The New York Times, Hoare afirmou que a conduta ilegal era muito mais comum no News of the World do que a direção do jornal admitiu quando começaram as investigações.

Renúncias

O News of the World, que teve sua última edição publicada no dia 10, é acusado de ter tido acesso ilegalmente a mensagens de celulares de mais de 4 mil pessoas.

Em um dos últimos desdobramentos do caso, o comissário assistente da polícia metropolitana de Londres, John Yates , deixou o cargo em meio à pressão por explicações sobre sua ligação com um ex-jornalista da publicação, Neil Wallis , que foi preso e liberado após pagar fiança na quinta-feira. Ele é suspeito de conspiração para interceptar conversas e mensagens telefônicas.

O chefe da polícia metropolitana e o mais alto oficial de polícia da Grã-Bretanha, Paul Stephenson , renunciou no domingo, após enfrentar críticas por ter contratado Wallis como relações públicas.

Depoimentos

Perante o Comitê de Mídia do Parlamento britânico, o dono da News Corporation (que publicava o News of the Wolrd), Rupert Murdoch, afirmou nesta terça-feira que não é responsável pelo escândalo de escutas ilegais do tabloide. Durante o depoimento, que durou cerca de três horas, um jovem invadiu a sala, avançou sobre o magnata e o atingiu com uma torta de espuma de barbear .

O magnata australiano respondeu perguntas dos parlamentares britânicos ao lado do filho, James Murdoch. "É o dia mais comovente da minha vida", afirmou o magnata no início do depoimento.

Questionado se era responsável pelo escândalo das escutas ilegais, Murdoch foi conciso: "Não." Após o membro do Parlamento insistir no assunto, o magnata sugeriu que tinha sido enganado no caso: "(São responsáveis) as pessoas em quem confiei, e as pessoas em quem elas por sua vez confiaram."

Com BBC, AP e EFE

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