Londres, 10 jul (EFE).- A Polícia britânica confirmou hoje que averiguará se os serviços de contra-espionagem MI5 participaram da suposta tortura do etíope Binyam Mohammed durante sua detenção em vários países antes de sua transferência para o centro de detenção americano de Guantánamo.

A Polícia Metropolitana de Londres, também conhecida como Scotland Yard, recebeu instruções da promotora do Estado, a baronesa Patricia Scotland, para investigar o caso, segundo um porta-voz.

A fonte disse que uma equipe de detetives foi reunida que trabalhará sob as ordens da subcomissária adjunta Sue Akers para examinar as provas existentes.

Mohammed, um etíope que residiu no Reino Unido, retornou a este país no dia 23 de fevereiro, após ser posto em liberdade da prisão de Guantánamo.

O etíope denunciou que o MI5 foi cúmplice das torturas às quais foi submetido primeiro no Paquistão, em 2002, por agentes paquistaneses durante três meses de detenção nesse país, quando além disso foi interrogado por agentes do FBI e dos serviços secretos britânicos.

Mohammed assegura que depois foi levado ao Marrocos em um voo clandestino da CIA, onde voltou a ser cruelmente torturado e se inteirou que agentes britânicos estavam fornecendo perguntas e informação a seus carcereiros.

O diretor da organização de assistência legal Reprieve, Zachary Katznelson, que representa Binyam Mohammed, expressou sua preocupação pela possibilidade de que provas e informação secreta fiquem excluídas da investigação oficial.

"Muitos dos documentos relacionados com o tratamento a Mohammed são classificados (secretos), tanto nos EUA como no Reino Unido, e a menos que a Polícia tenha acesso a todos eles só verão uma pequena parte da história", declarou.

Binyam Mohammed chegou ao Reino Unido em 1994 como refugiado e trabalhou como zelador em Londres até 2001, quando viajou para o Afeganistão e Paquistão para, segundo seus advogados, superar sua dependência das drogas.

O etíope foi detido em 2002 no Paquistão e, segundo sustenta, foi levado pela CIA dos EUA para uma prisão do Marrocos, onde assegura que passou 18 meses e sofreu torturas.

Em 2004, Mohammed foi levado para o Afeganistão, país de onde foi transferido para Guantánamo. EFE jm/ma

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