Polícia austríaca diz não ter indícios de cúmplice de Fritzl

A polícia austríaca disse não ter indícios de que Josef Fritzl, que admitiu manter a filha em cativeiro por 24 anos, tivesse tido um cúmplice, apesar das fortes suspeitas de que ele não teria agido sozinho. As suspeitas foram levantadas pelo conhecimento de fatos como o de que Fritzl passava regularmente algumas semanas por ano de férias na Tailândia.

BBC Brasil |

Nesses períodos ele não poderia ter fornecido alimentos para a família que mantinha no porão.

Mas a polícia disse que a alimentação era garantida durante essas semanas graças a existência de aparelhos adequados no cativeiro.

"Havia uma geladeira, um freezer e uma máquina de lavar roupas. Ele também nos disse em depoimento que havia um comando eletrônico na porta que permitiria que ela fosse aberta, com a ajuda de ferramentas que havia dentro do cativeiro, caso acontecesse algo com ele. Nossos peritos estão estudando se isto é verdadeiro", disse o chefe de polícia da Áustria Baixa, Franz Polzer.

Outro fato que levantou suspeitas da existência de um cúmplice foi a forma como a polícia acabou chegando a Fritzl: através de uma denúncia anônima, feita por alguém que parecia estar informado sobre o caso.

A polícia tinha feito um apelo na imprensa por informações sobre o paradeiro da mãe de Kerstin, de 19 anos, que estava internada em coma em um hospital. Os médicos queriam detalhes sobre o histórico da filha e acreditavam que estes poderiam ser fornecidos pela mãe.

Até este momento, a polícia suspeitava que Elisabeth, a mãe, estaria pertencendo a uma seita - segundo a versão divulgada pelo pai, Josef.

Quando Elisabeth chegou ao hospital no sábado passado, acompanhada do pai, foi detida pela polícia, que queria interrogá-la pelo fato de ter abandonado três filhos. Foi depois do depoimento de Elisabeth que a policia resolveu prender o pai, Josef.

A polícia tinha sido avisada de que Elisabeth estava a caminho do hospital no sábado por meio de uma denúncia anônima.

As autoridades disseram que conhecem a identidade do informante, mas que não estão tratando essa pessoa como suspeita.

"Saber da existência de um crime não é a mesma coisa que ser cúmplice. O informante pediu para permanecer anônimo e respeitaremos isto", disse Polzer.

Foco
No início desta quinta-feira, o foco do interesse da imprensa internacional se transferiu da casa de Josef Fritzl para a clínica psiquiátrica Amstetten-Mauer, onde os outros membros da família estão sendo mantidos.

Eles ocupam uma área reservada no local, sem contato com outros pacientes. O chefe da clínica, Berthold Kepplinger, disse que mãe e filha estão se entendendo muito bem e que o estado de saúde de Elisabeth e de dois dos três filhos que viviam com ela no cativeiro é "relativamente bom". A filha mais velha, Kerstin Fritzl, continua internada em coma.

A cunhada de Josef Fritzl, Christine R., confirmou em entrevista ao jornal Österreich que o acusado foi preso em 1967 por um crime de estupro ocorrido na cidade de Linz.

"Eu tinha 16 anos e achei o delito simplesmente nojento. Nesta época, ele já tinha quatro filhos com minha irmã", afirmou Christine.

O governo austríaco pretende agora mudar a lei sobre o tempo em que o registro de crimes sexuais permanece nos arquivos da polícia. Os arquivos são apagados 15 anos após o delito.

A Ministra da Justiça, Maria Berger, quer ampliar este prazo para 30 anos, enquanto o Ministro do Interior, Günther Platter, pleiteia que os dados sejam arquivados por toda a vida do infrator.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG