Policiais que apuram o caso do austríaco que manteve a filha presa em um porão durante 24 anos, estão investigando sua possível ligação com o assassinato de uma jovem, há 22 anos. O corpo de Martina P., de 17 anos, foi encontrado em 22 de novembro de 1986 enrolado em um plástico à beira do lago de Mondsee, no norte do país.

Clique na imagem e veja o infográfico sobre o crime (AFP)

Na época, Fritzl era proprietário de uma pensão que ficava em frente ao local.

A bolsa, a jaqueta e as botas da vítima nunca foram encontradas e polícia agora procura os objetos na casa de Fritzl.

O advogado do austríaco pediu um exame psicológico de seu cliente para avaliar se ele pode ser responsabilizado por seus atos.

Segundo o advogado, Rudolf Mayer, essa avaliação será importante para determinar a extensão da eventual pena à qual Fritzl poderá ser condenado.

Mayer se disse surpreso com a decisão dos promotores austríacos em acusar Fritzl de assassinato por negligência, por conta da morte de um dos filhos gêmeos nascidos em 1997, logo após o parto.

Pena

De acordo com o código penal do país, uma possível condenação por assassinato poderia render uma pena de prisão perpétua.

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Josef F. admite ter prendido filha por 24 anos
O réu, de 73 anos, também vai responder pelos crimes de cárcere privado, abuso sexual, incesto, coação e ameaça, pelos quais poderá pegar 15 anos de cadeia.

"Fica a suspeita de que estão buscando atalhos para encontrar uma maneira de aplicar uma pena maior. Porque ficaria melhor no Exterior quando há ameaça de prisão perpétua num caso com esta repercussão", afirmou o advogado.

Mayer disse que solicitará a soltura de Fritzl no dia 13 de maio, data na qual um juiz examinará se o acusado deve ou não permanecer em prisão preventiva.

Um exame de DNA confirmou que Josef Frietzl teve ao menos seis filhos com sua filha Elisabeth, presa no porão da casa desde os 15 anos de idade.

Três dos filhos viviam com ela no porão, e os demais haviam sido "adotados" pelo pai e viviam na parte superior da casa com o resto da família.

Elisabeth, a mãe Rosemarie e cinco de seus seis filhos permanecem numa clínica psiquiátrica em Amstetten.

Segundo um dos médicos do local, o reencontro entre mãe e filha teria sido muito emotivo. Kerstin Fritzl, a filha mais velha de Elisabeth, permanece internada no Hospital Regional de Amstetten em estado de coma.

Acesso ao porão

A polícia austríaca apurou que Alexander, um dos filhos de Elisabeth que vivia com Josef na parte de cima da casa, tinha acesso ao porão onde ficava o cativeiro.

A informação veio de antigos inquilinos do réu, que apontaram terem presenciado o garoto ir ao local para buscar ferramentas.

O chefe de polícia da Áustria Baixa, Franz Polzer, apontou que isto não significa haver indícios de que Alexander sabia da existência do cativeiro.

Segundo ele, a entrada era muito escondida e mesmo os policiais, que sabiam o que estavam procurando, tiveram dificuldades para encontrá-la.

Polzer ainda afirmou que há fortes indícios de que o código eletrônico na porta do cativeiro estava programado para abri-la automaticamente depois um determinado período de tempo, como se fosse um mecanismo idealizado por Fritzl caso lhe acontecesse alguma coisa.

Especialistas estão analisando se esta suspeita é procedente. Para Polzer, a polícia vai precisar de pelo menos seis meses para colher todos os dados no local do crime.

Centenas de moradores de Amstetten, onde vivia a família Fritzl, fizeram na noite de terça-feira uma vigília com velas na praça principal da cidade.

A iniciativa foi de um movimento civil criado na própria terça-feira. Segundo o prefeito Herbert Katzengruber, a intenção é mostrar que Amstetten "não é uma cidade de criminosos".

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