Polícia da Noruega revisa para 68 número de mortos em ilha

Diferença de 18 em relação a número divulgado antes se deve à estimativa inicial; com 8 mortes em Oslo, total de massacre é de 76

iG São Paulo | 25/07/2011 12:12 - Atualizada às 18:27

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A polícia da Noruega revisou para 68 nesta segunda-feira o número de mortos no ataque na a Ilha de Utoya, a 40 quilômetros de Oslo. A nova cifra difere em 18 da divulgada no domingo, de 86. Ao mesmo tempo, a polícia aumentou de sete para oito o número de mortos na explosão de um carro-bomba em Oslo. Assim, o total de mortos no duplo ataque foi corrigida de 93 para 76.

Foto: Reuters Ampliar

Norueguês Anders Behring Breivik, homem acusado pelo massacre na Noruega, é visto dentro de veículo ao deixar corte onde teve sua primeira audiência em Oslo

O diretor da polícia norueguesa, Oystein Maeland, disse que o número maior e incorreto surgiu enquanto a polícia e as equipes de resgate mantinham sua atenção em ajudar os sobreviventes e fazer a segurança da área do ataque, mas ele não explicou exatamente por que a contagem foi errada.

A dramática redução no número de mortos é mais um dos tropeços da polícia norueguesa: ela demorou 90 minutos para chegar à ilha desde o primeiro disparo, e pessoas que ligaram aos serviços de emergência foram orientadas a ficar longe do telefone se não fossem fazer ligações sobre as explosão em Oslo.

Na coletiva, os oficiais afirmaram que todos os corpos encontrados na ilha foram levados ao continente, mas que o processo de identificação continua. Segundo eles, os trabalhos na ilha ainda prosseguem: "Buscamos pessoas que podem ter sido deixadas lá e também o máximo de documentação possível. Ainda temos muito trabalho pela frente."

A coletiva da polícia foi dada depois da primeira audiência do autor presumível dos ataques, o radical da extrema direita Anders Behring Breivik. Perante à corte, o norueguês de 32 anos alertou que há mais duas células militantes de sua rede terrorista, disse nesta segunda-feira Kim Heger, o juiz que presidiu a sessão. Heger afirmou que a polícia investigará a afirmação do extremista.

Na sessão judicial, Breivik fez alusão a outras "células" em uma rede que descreveu como os novos Cavalheiros Templários - uma ordem medieval fundada para proteger os peregrinos cristãos na Terra Santa depois da Primeira Cruzada. Um manifesto de 1,5 mil páginas atribuído ao extremista e postado horas antes dos ataques menciona brevemente a intenção de contatar duas outras células - termo que diz se referir a "grupos pequenos e autônomos" liderados por comandantes individuais.

Para os oficiais, Breivik pareceu se contradizer com essa afirmação, já que em depoimento após ser preso afirmou que havia atuado sozinho no duplo atentado. De acordo com as autoridades, a audiência de 35 minutos desta segunda-feira foi fechada ao público e à imprensa pela "preocupação de revelar muita informação" sobre o caso. "Uma das razões é que pensamos que outras pessoas podem estar implicadas", disseram.

As autoridades policiais, porém, negaram que um suspeito do caso na Noruega tivesse sido preso na Polônia. A informação de que um cidadão polonês teria sido preso pela polícia na Cracóvia, no oeste polonês, havia sido divulgada pela televisão norueguesa TV 2. Segundo os policiais, continuam as investigações sobre os possíveis vínculos de Breivik com a Polônia.

Na noite de domingo, o advogado de Breivik, Geir Lippestad, afirmou que seu cliente preferia uma audiência pública e queria se apresentar ao juiz vestindo um uniforme militar. O magistrado rejeitou o pedido do extremista.

De acordo com a polícia, Breivik tentou ler na sessão judicial partes do manifesto, mas a corte o impediu. Também segundo as mesmas fontes, o extremista será avaliado por dois psiquiatras.

Na audiência, Breivik rejeitou a responsabilidade criminal pelos ataques argumentando que queria salvar a Noruega e a Europa Ocidental do "marxismo cultural", mesma expressão usada no manifesto. De acordo com o juiz, o acusado justificou suas ações afirmando que o massacre foi necessário para evitar que a Europa seja tomada por muçulmanos.

O extremista norueguês também declarou que seu principal objetivo era prejudicar o Partido Trabalhista, que acusou de encorajar a imigração. Segundo o juiz, Breivik disse que a legenda governista é culpada da "importação em massa" de muçulmanos. "O Partido Trabalhista tinha de pagar um preço por sua traição; muçulmanos estavam aqui para colonizar o país", disse Breivik, citado pelo magistrado.

Foto: AP

Multidão se aglomera em frente a tribunal em Oslo, capital da Noruega, onde suspeito de ataques tem primeira audiência

"A operação não tinha o objetivo de causar o maior número de mortes possível, mas emitir um forte sinal que não pudesse ser confundido de que, enquanto o Partido Trabalhista continuar levando adiante suas mentiras ideológicas e desconstruindo a cultura norueguesa e importando muçulmanos em massa, terá de assumir a responsabilidade por sua traição", disse o radical cristão, segundo o juiz. Ele também reiterou as declarações dadas à polícia no fim de semana de que é autor do dia que chocou a pacífica Noruega e representou o mais mortal para o país desde a Segunda Guerra Mundial.

O juiz indiciou o acusado por atos de terrorismo, anunciando que o extremista ficará sob custódia por oito semanas, das quais quatro em total isolamento. De acordo com o magistrado, a promotoria pediu essa medida pelo risco de perda de provas e pela "extensão e característica" do caso. Assim, o autor presumível dos atentados ficará em completo isolamento até 22 de agosto, o que representa não poder receber cartas, visitas ou usar a mídia.

Segundo o juiz, a data da principal audiência sobre o caso será definida depois que a polícia concluir a investigação. De acordo com a lei norueguesa, Breivik pode ser sentenciado a um máximo de 21 anos de prisão. A sentença pode ser estendida se o prisioneiro for considerado uma ameaça à segurança pública.

Homenagem

A população da Noruega fez um minuto de silêncio ao meio-dia desta segunda-feira (7h de Brasília) em homenagem aos mortos no duplo atentado. O ato paralisou o centro da capital escandinava e foi liderado pela família real norueguesa e o primeiro-ministro do país, o trabalhista Jens Stoltenberg, em uma solenidade em frente ao prédio central da Universidade de Oslo.

<span>Com flores nas mãos, milhares se reúnem em frente de prefeitura de Oslo em homenagem aos mortos de massacre da Noruega</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>A princesa da Coroa da Noruega, Mette-Marit (C), é vista durante marcha das flores em memória de vítimas de duplo atentado da Noruega</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Pessoas se reúnem em Oslo em manifestação para repudir doutrina de ódio contra os imigrantes professada por acusado de massacre da Noruega</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Milhares são vistos no centro de Oslo em memória de vítimas do massacre da Noruega</span> - <strong>Foto: AFP</strong>

Mais tarde, ao menos 100 mil se reuniram com flores nas mãos no centro de Oslo para uma vigília pacífica em homenagem às vítimas do ataque duplo. Segundo a imprensa local, a mobilização populacional foi sem precedentes na história do país.

As ruas de Oslo foram fechadas para circulação para serem palco da manifestação, cujo objetivo foi repudiar a doutrina de ódio anti-imigrante de Anders Behring Breivik, autor presumível do massacre de sexta-feira. “As ruas estão cheias de amor", dise o príncipe da Coroa da Noruega, Haakon, à multidão.

*Com BBC, AFP e EFE

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