Polêmico plano do Hisbolá promete reconstruir sul de Beirute

Katy Seleme. Beirute, 11 mai (EFE).- Os bairros do sul de Beirute, conhecidos como Dahia e de maioria xiita, voltaram a se erguer sobre as ruínas após os bombardeios israelenses de 2006, graças a um polêmico projeto de reconstrução que os Estados Unidos dizem que apoia o terrorismo.

EFE |

Um passeio por esses bairros mostra prédios em construção e outros restaurados, embora ainda haja áreas como o distrito de Harek Hreik, uma das mais castigadas pela guerra entre Israel e o grupo xiita Hisbolá, visivelmente desfigurado.

Em todas as áreas do Dahia é possível ver cartazes com a mensagem "Waed (promessa), a reconstrução mais bela que antes", que é o que o chefe do Hisbolá, xeque Hassan Nasrallah, prometeu em julho de 2006 no décimo oitavo dia da ofensiva israelense, que causou 1.200 mortos e deixou cinco mil feridos.

Waed é o nome do projeto de reconstrução do Dahia, que segundo seu diretor-geral, Hassan Yachi, já tem 1.050 edifícios restaurados, dos 1.300 que foram danificados total ou parcialmente e dos 281 destruídos, com um custo de US$ 400 milhões.

No entanto, a iniciativa não esteve isenta de controvérsia por sua inclusão, no início deste ano pelos EUA, em sua lista de organizações que apoiam ou participam do terrorismo, ao considerá-la um exemplo "das táticas enganosas do Hisbolá para apoiar seu aparelho terrorista e militar".

"Deixem as pessoas falarem sobre a inclusão da Waed na lista terrorista de Washington e eles contestarão isso", afirmou Yachi ao responder as acusações.

Os EUA acusam os responsáveis pelo projeto de esconder sua ligação com o Hisbolá e de terem construído armazéns subterrâneos de armas para o grupo.

Yachi esclarece que foram organizações e associações civis dos países árabes e muçulmanos que deram todo o material, e se queixa que o Estado não tenha cumprido até agora a promessa de ajudar a população com US$ 53 mil.

Corretas ou não as acusações, o projeto segue adiante e tem agora entre mãos a reconstrução de "241 edifícios, dos quais 20 já foram entregues e espera-se que outros 22 o sejam em breve", acrescenta Yachi.

"A Waed não deixará nenhum edifício destruído para lembrar o que ocorreu", assegura Yachi, para quem "o Dahia voltará a ser uma área residencial e comercial da mesma forma que era antes, e quando todos os seus habitantes retornarem a vida também será".

Construído sem nenhum plano de urbanização antes da guerra, o Dahia era um labirinto de ruas estreitas, com muitos comércios e vida na rua e um tráfego bastante denso.

Embora recentemente não tenha variado muito, o novo projeto compreende ruas bem alinhadas com calçadas e edifícios modernos, já que, segundo indica Yachi, o projeto contempla um plano para ordenar a circulação.

Fora isso, estão sendo adotadas novas construções de um sistema antiterremotos para que possam resistir a um tremor de até 7 graus na escala Richter, e critérios ambientais também estão sendo seguidos.

No entanto, o projeto não prevê refúgios para a população civil em caso de ataque de Israel, já que para Yachi "não faz sentido porque as bombas israelenses penetram até pelo menos pavimento andares sob o solo".

Segundo ele, o fato de em 2006 não haver esse tipo de abrigo salvou grande parte da população, pois seriam geradas grandes "valas comuns".

No projeto trabalham 20 engenheiros com mais de 100 profissionais de todas as comunidades religiosas e regiões libanesas.

Os moradores estão tão contentes quando veem os novos imóveis, que inclusive aqueles cujas casas não foram afetadas pelos bombardeios, brincam com representantes da Waed que gostariam que suas residências tivessem sido destruídas para terem novas.

"Outros nos agradecem por termos devolvido seu sonho de voltar para casa e para seu bairro, onde se sentem em família", afirma Yachi. EFE ks/rr

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