Polêmico candidato egípcio perde eleição na Unesco

PARIS (Reuters) - O ministro egípcio da Cultura, Farouk Hosni, que disse no ano passado que gostaria de queimar livros israelenses, foi derrotado nesta terça-feira na eleição para a direção da Unesco, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para educação e cultura. Uma fonte da agência disse que a ex-chanceler búlgara Irina Guerguieva Bokova acabou sendo eleita no quinto e último turno de uma votação que expôs profundas divisões na Unesco.

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Bokova, diplomata de carreira, recebeu 31 votos, contra 27 de Hosni. Na véspera, os dois haviam empatado em 29 votos, no quarto turno. A eleição envolveu 58 países do comitê executivo.

Fontes ligadas ao processo disseram à Reuters que durante todo o dia alguns países se empenharam em tirar votos de Hosni, que pretendia se tornar o primeiro árabe à frente da Unesco. O resultado indica que dois países cederam.

A candidatura do egípcio enfrentava forte resistência de organizações judaicas, intelectuais e ativistas, que o acusavam de fazer vista grossa à censura no Egito.

Mas seus apoiadores diziam que era hora de enviar um sinal positivo ao mundo islâmico, e a imprensa árabe o apresentava como um representante ideal para promover o diálogo cultural.

Para muitos países europeus e para os EUA, no entanto, ficou difícil apoiá-lo depois das suas declarações contra Israel.

No ano passado, ele disse, num acalorado debate com um parlamentar, que queimaria livros israelenses se os encontrasse em bibliotecas egípcias. Em outra ocasião, qualificou a cultura israelense como "desumana."

Hosni, que é pintor e ministro há mais de duas décadas, disse em seu site que estava arrependido da frase sobre a queima de livros.

(Reportagem de Tamora Vidaillet)

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