Polêmico acordo militar entre Colômbia e EUA deve ser assinado em 2 semanas

Bogotá, 15 ago (EFE).- A Colômbia quer assinar em duas semanas o polêmico acordo para que militares americanos possam utilizar até sete bases em seu território, principal causa da deterioração de sua relação com o Equador e a Venezuela, países com os quais o Governo de Álvaro Uribe quer retomar o diálogo.

EFE |

Uma fonte ligada ao Ministério da Defesa colombiano disse hoje à Agência Efe que a intenção do Governo de Uribe é que esse acordo com os Estados Unidos esteja assinado "em duas semanas", depois que as negociações foram finalizadas na sexta-feira, em Washington.

Com um breve comunicado da Chancelaria, a Colômbia confirmou ontem o fechamento das negociações sobre o acordo com os EUA, que passará "agora por revisão técnica pelas instâncias governamentais de cada país, para a posterior assinatura".

Quase em paralelo a essa confirmação, o presidente Uribe expressou sua vontade retomar o diálogo com os Governos da Venezuela e do Equador, para tentar recompor as relações bilaterais.

"Eu acho que podemos manter um diálogo com o Equador", disse Uribe, durante a Assembleia da Associação Nacional de Empresários (ANDI), em Medellín, no noroeste do país, e acrescentou que tem a intenção de fazer "o mesmo com a Venezuela".

Além disso, Uribe pediu desculpas novamente ao Equador, pelo bombardeio no dia 1º de março de 2008 contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no país.

O ataque, que matou o então número dois das Farc conhecido como "Raúl Reyes", levou Quito a romper as relações diplomáticas com Bogotá.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, aceitou hoje as desculpas de Uribe, mas insistiu em condicionar o reatamento das relações entre os dois países ao cumprimento de vários requisitos e voltou a criticar o acordo militar da Colômbia com os EUA.

"Este é um assunto gravíssimo, não é somente um assunto de soberania da Colômbia. É como se eu construísse uma usina nuclear com a qual poderia atacar todos os meus vizinhos e dissesse: 'não, este é um assunto de soberania'. Quem pode acreditar nisso?", disse o líder equatoriano.

O acordo, que contempla o uso de até sete bases colombianas por militares americanos para atividades contra o narcotráfico, pode trazer "ventos de guerra" à América do Sul, alertou o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Devido a esse acordo e às acusações da Colômbia sobre um suposto desvio de armas adquiridas pela Venezuela para as Farc, Chávez decidiu "congelar" as relações com o país vizinho.

A inquietação gerada pela aliança militar entre a Colômbia e os EUA se estendeu a outros países da região e levou a União de Nações Sul-americanas (Unasul) a convocar uma cúpula extraordinária de presidentes, que será realizada em Bariloche, no sul da Argentina, no dia 28 de agosto.

Uribe confirmou sua presença na reunião, mas advertiu que isso não significa que os países poderão alterar o acordo com os EUA, que poderia se assinado antes da cúpula da Unasul.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem em Lima que a Colômbia e os EUA devem dar "garantias" que seu acordo não comprometerá a segurança de outros países da América do Sul.

Já o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, disse que o acordo com a Colômbia não deveria ser discutido pela região, porque é um tema "estritamente bilateral".

Uribe reiterou ontem que o acordo beneficia toda a região, já que tem o objetivo de lutar contra o narcotráfico e o terrorismo. EFE mb/pd

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