Polêmicas sobre Palin ofuscam mensagem da convenção republicana

Macarena Vidal. St. Paul (EUA), 2 set (EFE).

EFE |

- As revelações sobre a candidata republicana à Vice-Presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, deixaram em segundo plano a mensagem da convenção do partido e hoje obrigaram o próprio John McCain justificar a sua escolha.

Palin, governadora do Alasca, admitiu ontem que sua filha Bristol, de 17 anos, está grávida de cinco meses e se casará com o pai do bebê.

Além disso, também foi revelado no mesmo dia que a companheira de chapa de McCain contratou um advogado particular para que a representasse na investigação no Alasca sobre um suposto abuso de poder, que inclui pressões para a demissão de seu ex-cunhado da Polícia.

Nas últimas horas, além disso, foi divulgado que seu marido já foi preso por dirigir embriagado quando era jovem.

O surgimento dessas revelações já se mostrou danoso para sua carreira política. Segundo a consultora Internet Intrade, hoje, Palin tinha cerca de 12% de chances de retirar sua candidatura, uma porcentagem muito baixa, mas que era de 3% quando foi anunciada a sua nomeação na sexta-feira.

O próprio McCain se viu obrigado a defender sua decisão de escolher Palin, diante da crescente polêmica que fez com que alguns questionassem a capacidade do candidato de tomar decisões importantes.

"Meu processo de seleção foi exaustivo e estou feliz com os resultados", afirmou McCain em um ato na Filadélfia.

A situação pôs na defensiva os estrategistas republicanos, que contavam com a convenção para vender a imagem de seu candidato e conseguir que ele subisse pontos nas pesquisas.

Ao invés de falar do programa eleitoral, se viram obrigados a responder os questionamentos sobre a cautela quanto à seleção para oferecer a Vice-Presidência a Palin, de 44 anos e até então desconhecida fora do Alasca.

Brian Rogers, um porta-voz de McCain, desmentiu hoje uma informação publicada pelo "New York Times" que assegurava que Palin participou do Partido Independentista do Alasca nos anos 90.

"A governadora está inscrita como republicana desde que começou a votar, em 1982", afirmou Rogers.

Outros republicanos também saíram em defesa da governadora. A presidente da campanha de McCain, Carly Fiorina, acusou os democratas de "machismo" por criticarem Palin.

A nomeação de Palin, de firmes crenças conservadoras, tinha sido amparada com satisfação entre as bases mais direitistas do partido, mas causou espanto entre o público em geral.

Como publicaram alguns meios de comunicação, a seleção da governadora aconteceu quase no último momento, pois McCain tinha em mente outros candidatos afastados das bases conservadoras.

Finalmente, o temor de se alienar frente a esses eleitores fez com que optasse por Palin.

McCain considerou, então, que a decisão reforçava sua imagem de político independente de seu próprio partido.

Porém, como advertiram alguns analistas, também o deixa vulnerável ao risco da abertura de uma caixa de Pandora caso as revelações sobre Palin adquiram um caráter mais substancial.

Segundo o professor David Schultz, da Universidade de Hamline, o modo como se desenvolve a "saga Palin", pode representar "uma prova da capacidade de McCain em tomar decisões".

Em si, o anúncio da gravidez de Bristol ou a investigação sobre abuso de poder, não serão desfavoráveis a Palin, segundo a estrategista republicana Ann Stone.

O candidato democrata, Barack Obama, pediu que as vidas dos parentes não fossem reviradas.

O problema será caso surjam outras revelações, algo possível já que o passado de Palin é completamente desconhecido.

"Então é possível que as pessoas comecem a se perguntar o que verdadeiramente está acontecendo no Alasca", disse Matthew Dowd, diretor de campanha do presidente George W. Bush em 2004. EFE mv/bm/rr

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