Polêmica posse de Duarte divide Senado paraguaio

Assunção, 28 ago (EFE).- A crise no Senado paraguaio piorou hoje depois de voltar a se separar em dois blocos de legisladores, que tem opiniões distintas sobre a polêmica posse do ex-presidente Nicanor Duarte como senador.

EFE |

O vice-presidente da câmara alta, Óscar Denis, disse que a sessão ordinária "reconheceu a existência de um novo senador vitalício", em alusão a Duarte, que tem garantido pela Constituição seu cargo, com voz, mas sem direito a voto e salário.

Denis, do governista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), fechou a sessão, da qual horas antes se retiraram os senadores da minoria, liderada pelo presidente do Senado, Enrique González Quintana, que revelou que houve desordem na sala na hora de encerrar a sessão.

Quando González suspendeu a sessão, a maioria pretendia que fosse decidida por meio de votação se a vaga deveria ser ocupada por Jorge Céspedes, que na terça-feira passada foi confirmado por esses mesmos senadores como integrante da câmara alta no lugar de Duarte.

Céspedes é o substituto do ex-presidente, que chegou a jurar como senador perante González Quintana esta terça-feira, mas seu juramento foi invalidado poucas horas depois pela maioria.

Denis afirmou que a crise "existiu devido a interpretações das leis de uma parte ou outra, mas neste plenário, uma maioria evidente diz que é esta a direção que se deve ir" e ressaltou que a sessão prosseguiu com 25 legisladores dos 45 membros.

Já Carlos Filizzola, do também governista Partido País Solidário (PPS), assegurou que não houve motivos para que González encerrasse a reunião.

Nas primeira quatro horas dos debates, Filizzola protagonizou uma troca de acusações com Duarte, que participou da sessão e o acusou de ter pedido cargos no Governo anterior, o que foi rejeitado pelo legislador.

"Meu cargo como senador foi ratificado por organismos jurisdicionais competentes e uma maioria circunstancial não vai nos separar de nossas convicções democráticas e republicanas", afirmou Duarte ao sair do local, no qual defendeu várias vezes a legalidade de sua cadeira.

Os ex-presidentes paraguaios se transformam automaticamente em senadores vitalícios, com voz, mas sem voto. Porém, Duarte decidiu se apresentar como candidato do Partido Colorado ao Senado nas eleições de abril e isso gerou a atual crise.

Duarte declarou que se o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, no cargo desde 15 de agosto, deseja acabar com a crise, deveria convocar os líderes dos grupos parlamentares.

A maioria no Senado é formada pela Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que apóia Lugo, pelo opositor Partido Pátria Querida (PPQ) e pela ala contrária a Duarte dentro do próprio Partido Colorado.

A APC é liderada pelo centenário PLRA, de centro-direita e segunda força eleitoral, e integrada por vários grupos minoritários de esquerda.

A minoria reúne, entre outros partidos, a União Nacional de Cidadãos Éticos, liderada por Lino Oviedo, que por um pacto com APC em prol da governabilidade, colocou um de seus homens, González Quintana na Presidência do Senado.

Duarte reiterou que as autoridades eleitorais e a própria Corte Suprema de Justiça validaram sua candidatura.

Não acredito que "se resolvermos por critérios de maioria e minoria a interpretação de leis, contribuiremos com a paz", comentou.

Seus detratores consideram que ele manipulou a Justiça para obter um cargo incompatível com a Presidência. Os aliados de Lugo já fizeram boicotes três vezes, duas na legislatura anterior e uma na atual, deixando sem quorum as sessões.

"Sinto-me realmente um perseguido e eu lhes digo que estão hoje com o afã de destruir um ator político importante porque fui presidente do meu partido em duas oportunidades", ressaltou.

Segundo Duarte, o ex-bispo "está errado se acha que pode operar segundo seu desejo". "Isto vai parar na sociedade e nós somos um partido majoritário, que ainda é grande", afirmou. EFE lb/bm/rr

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