Polêmica lei do Arizona deve complicar debate sobre imigração nos EUA

A promulgação no Arizona de uma lei sem precedentes que obriga a prender os imigrantes ilegais ameaça convulsionar o debate migratório nos Estados Unidos, onde vivem cerca de 11 milhões de ilegais.

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"Estão acontecendo muitas coisas, mas elas têm de ocorrer de forma adequada. Se ocorrerem de forma partidária, todos vão sair perdendo", advertiu Bob Sakaniwa, diretor associado da Associação de Advogados de temas migratórios.

A governadora do Arizona, Jan Brewer, assinou na sexta-feira a lei SB 1070, que pela primeira vez nos Estados Unidos obriga a polícia de um Estado a identificar e prender os imigrantes ilegais.

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Manifestantes protestam em Phoenix contra nova lei de imigração do Arizona

Manifestantes protestam contra nova lei de imigração do Arizona


Em torno de 460 mil imigrantes ilegais vivem no Arizona, Estado que faz fronteira com o México. Viver e trabalhar nos Estados Unidos, sem documentos, já é considerado crime no país, mas no âmbito federal.

Dezenas de distritos policiais têm acordos assinados com o governo federal para exercer atividades de polícia migratória, mas apenas quando ocorrem outros delitos.

A nova lei do Arizona obriga os policiais a prender as pessoas se houver "dúvidas razoáveis" de que elas possam estar ilegalmente no país. Se não o fizerem, podem ser processados pelos cidadãos do Estado.

A lei é "irresponsável", criticou o presidente Barack Obama , que anunciou que pedirá a seu Departamento de Justiça que examine se há violação aos direitos civis. "O povo americano merece uma reforma integral e justa", disse Obama.

A tensão em torno dos acontecimentos no Arizona tem consequências perigosas, segundo analistas e especialistas que participam dos debates feitos em Washington.

Apenas o senador republicano Lindsay Graham está negociando atualmente com o democrata Chuck Schumer um possível texto de reforma, baseado em um programa de permissões de trabalho temporário, multas e obrigação de aprender inglês para aqueles que buscam a legalização e cartões de identificação.

Para os democratas, cujas perspectivas eleitorais em novembro são difíceis, a tentação é apresentar um texto próprio de reforma, como já fizeram com a reforma dos serviços de saúde e bancários.

Os líderes do Senado, Harry Reid, e da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, apontaram nessa direção esta semana.

"Os democratas podem empurrar agora para depois dizer durante a campanha eleitoral que ao menos tentaram", explica Tamar Jacoby, presidente da ImmigrationWorks, uma coalizão de empresários que exige uma reforma migratória.

Os republicanos também estão em situação complicada, já que são o partido minoritário e também estão sendo muito pressionados pelo novo fenômeno conservador americano, o chamado Tea Party.

O Comitê Nacional Republicano ficou em silêncio sobre a histórica medida do Arizona.

Uma das principais figuras do partido e ex-defensor da reforma migratória John McCain, que foi candidato à presidência e ex-senador do Arizona, já deu seu apoio à lei SB 1070.

Líderes de grupos hispânicos, que lembram constantemente ambos os partidos do peso eleitoral que têm na comunidade, anunciaram reuniões na segunda-feira para preparar manifestações de protesto.

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