Polêmica entre Egito e Síria marca encontro da Liga Árabe

Cairo, 26 nov (EFE).- Os ministros de Relações Exteriores árabes reuniram-se hoje no Cairo, em uma sessão mercada pelas divergências entre Egito e Síria sobre a disputa interpalestina e as fronteiras da Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas.

EFE |

Uma fonte da Liga Árabe, que pediu não ser identificada, e que esteve presente na reunião de urgência disse à agência Efe que na sessão, ainda em andamento, Síria e Egito entraram em choque por causa de um polêmico discurso do ministro de Relações Exteriores sírio, Walid al Moualem.

Moualem, cujo país ostenta a Presidência rotativa na Liga Árabe, manifestou seu desejo de que o grupo xiita palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza, tivesse participado da reunião para expor seu ponto de vista.

Além disso, Moualem indicou que "a Síria pediu incluir o assunto do injusto bloqueio israelense na agenda de trabalho desta reunião urgente, e propõe aos demais países árabes adotar uma postura unificada para enviar um comboio de ajuda árabe a Gaza através da passagem de Rafah, em coordenação com a Liga Árabe".

Israel mantém fechada a faixa de Gaza, onde vivem 1,5 milhão de pessoas, desde junho de 2007, quando o Hamas tomou pelas armas o controle deste território palestino.

A única saída ao exterior de Gaza é a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, que permanece fechada desde essa data, e que se abriu em contadas ocasiões.

Por outro lado, em referência ao papel mediador do Egito na disputa interpalestina, Moualem assinalou que para se produzir um diálogo deve haver premissas fundamentais: "A primeira delas é que o mediador esteja situado a uma mesma distância das partes", explicou o ministro sírio, para quem o intermediário deve limitar-se a estabelecer um marco para que depois "as partes negociem através do diálogo".

O Egito exerce o papel de mediador entre as facções palestinas, que, em princípio, deveriam ter iniciado um diálogo de reconciliação no dia 9 deste mês, no Cairo, mas que, no entanto, foi adiado pelo boicote do Hamas, por suas exigências não terem sido cumpridas.

Entre as reivindicações do Hamas estava o fim da detenção de alguns de seus integrantes na Cisjordânia, território controlado pelos sunitas do Fatah.

A disputa entre as facções palestinas começou em junho de 2007, quando o Hamas tomou o controle de Gaza, após expulsar as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, chefe do Fatah.

Moualem também ressaltou a necessidade de que se estabeleça um limite de tempo para o diálogo interpalestino, "porque não é possível que continue sem dar resultados", diante do perigo de que seu fracasso forme um vazio de autoridade.

Por sua parte, o ministro de Relações Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, respondeu que "os países árabes estão com a legalidade internacional e a legalidade internacional está com a ANP, representada nesta reunião por (o negociador palestino) Saeb Erakat".

Para Gheit, "a reunião está dedicada aos Estados e é o presidente da ANP (Mahmoud Abbas) quem decide seu representante".

Além disso, Gheit criticou o discurso de Moualem sobre as fronteiras e assinalou que esse assunto está regido por um acordo internacional, pelo qual o Egito não é responsável pelos palestinos não poderem atravessá-las a partir de Gaza.

Gheit referia-se ao acordo assinado em 2005 entre a ANP com Israel, graças à mediação do Quarteto para o Oriente Médio (EUA, UE, ONU e Rússia).

Para que Rafah fosse reaberta, de acordo com esse pacto, representantes israelenses e da ANP e observadores da UE precisariam ter acesso a um centro de controle situado no posto militar de Kerem Shalom, para acompanhar o movimento na fronteira por circuito fechado, o que se tornou impossível desde que o Hamas tomou o controle de Gaza.

Gheit ainda acusou o Hamas de obstruiur os esforços egípcios e árabes para conseguir um diálogo interpalestino. EFE aj-ssa/jp

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