Polêmica e falta de favoritos marcam início de rodada de prêmios Nobel

Copenhague, 6 out (EFE) - A polêmica com as críticas do secretário permanente da Academia Sueca, Horace Engdahl, à literatura americana marca o início hoje da rodada de ganhadores dos prêmios Nobel.

EFE |

Como em todos os anos, a escolha do prêmio de Literatura, na quinta-feira, e o da Paz, um dia depois, chama mais a atenção do que as outras categorias - Medicina (anunciado hoje), Física (terça-feira), Química (quarta-feira) e Economia (dia 13 de outubro) - e gera intermináveis especulações.

Hoje, o alemão Harald zur Hausen e os franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier foram declarados vencedores do Prêmio Nobel de Medicina 2008 por seus estudos sobre os vírus causadores do câncer de colo do útero e sobre a aids, respectivamente.


Harald zur Hausen (E), Luc Montagnier (C) e Francoise Barre-Sinoussi (D) / Reuters

O Brasil era forte candidato a este prêmio com o neurocientista Miguel Nicolelis, que desenvolveu uma técnica que utiliza a força do pensamento para fazer com que estímulos cerebrais de um macaco movimentem um braço mecânico.

Literatura

No caso de Literatura, tanto ou mais do que possíveis ganhadores, a entrevista de Engdahl à agência americana "AP" causou polêmica, ao afirmar que a literatura dos Estados Unidos é "insular" e defender que a Europa é o "centro" do mundo literário.

As palavras de Engdahl geraram controvérsia, não tanto dentro da Suécia quanto no exterior, especialmente nos EUA, onde a imprensa e analistas o acusaram de "ignorante".

Em meio à polêmica, Engdahl ressaltou que o Nobel não premia literaturas nem países, mas autores, e destacou que a nacionalidade é indiferente na eleição.

Nas apostas ao prêmio, aparecem bem colocados autores americanos como Joyce Carol Oates, Philip Roth, Thomas Pynchon e Don DeLillo, os principais a suceder a escritora Toni Morrison, a última americana a ganhar o Nobel de Literatura, em 1993.

No entanto, o italiano Claudio Magris, um dos nomes freqüentes nos últimos anos, é o que parece melhor situado, pelo menos para a casa de apostas britânica Ladbrokes, seguido por outros dois valores seguros: o sírio-libanês Adonis e o israelense Amos Oz.

A favor das letras hispânicas joga o fato de que há 18 anos ninguém que escreva em espanhol é premiado - o último foi o mexicano Octavio Paz -, embora nomes mais sólidos como o também mexicano Carlos Fuentes e o peruano Mario Vargas Llosa têm contra si o fato de suas condições de "eternos" candidatos.

Não é a primeira vez, entretanto, que a Academia Sueca recupera um autor que já parecia esquecido, como fez no ano passado com a britânica Doris Lessing.

Paz

Menos polêmico se apresenta o Nobel da Paz, caracterizado, por outro lado, pela falta de favoritos claros, ao contrário do ano passado, quando foram premiados o ex-vice-presidente americano Al Gore e o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês).

Inclusive o diretor do Instituto Nobel da Noruega, Geir Lundestad, reconheceu que este ano não houve "nenhum avanço chamativo" que o Comitê Nobel tivesse que levar em conta.

A maioria dos analistas noruegueses aponta algum ativista ou organismo relacionado aos direitos humanos, previsão que se vê reforçada por um fato histórico.

O dia da entrega dos prêmios, 10 de dezembro, será o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

À parte da organização Human Rights Watch, soam com força dois nomes: o ativista chinês Hu Jia e a defensora dos direitos humanos e advogada chechena Lidia Yusupova.

A lista de candidatos é interminável: o presidente do Tribunal Supremo do Paquistão, Iftikhar Chaudhry; a ex-promotora-chefe do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) Carla del Ponte; o monge vietnamita Thich Quang Do; e o líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai.

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt; o presidente da Bolívia, Evo Morales; o cubano Osvaldo Payá; e as Avós de Praça de Maio também aparecem entre os nomes de potenciais candidatos.

Os nomeados pelos diferentes Comitês Nobel não podem ser conhecidos até depois de 50 anos, mas nada impede que divulguem os indivíduos ou instituições que propuseram candidaturas, como acontece em alguns casos.

A única coisa certa é que há 197 candidatos, 16 a mais do que no ano passado, dos quais 164 correspondem a indivíduos e 33, a organizações.

Os prêmios serão entregue em 10 de dezembro em uma dupla cerimônia em Estocolmo e em Oslo.

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