Polêmica cerca casamento de atleta indiana com paquistanês

Julia R. Arévalo.

EFE |

Nova Délhi, 6 abr (EFE).- Esportistas famosos, rivalidade entre Índia e Paquistão e uma suposta relação antiga são as peças do drama que acompanha o anunciado casamento da tenista Sania Mirza com o jogador de críquete Shoaib Malik.

O romance da jovem tenista indiana com o paquistanês Malik, que resultará em casamento no próximo dia 15, gerou polêmica durante o fim de semana com a aparição na imprensa da jovem Ayesha Sidiqui, também indiana, que assegura ser a primeira esposa do jogador de críquete.

Todos são muçulmanos, o que legalmente não impediria que Malik tomasse Sania como sua segunda esposa na Índia, mas a família de Ayesha decidiu denunciar o paquistanês por engano, intimidação e assédio.

Ayeasha afirma que eles estão casados e apresenta como prova o "nikahnama" ou o documento matrimonial que ambos assinaram em 2001, além de ter anunciado hoje que esteve grávida dele, mas que teria abortado.

Malik alega que o casamento foi realizado por telefone e não foi validado, pois ele teria assinado o papel acreditando que se casava com uma menina à qual conhecia somente por fotos e que não eram de Ayesha.

O jogador de críquete disse nunca ter visto a jovem das fotos, pois sempre recebeu desculpas (viagens ao exterior ou ausências por doença) quando tentou conhecê-al pessoalmente em Hyderabab, no sul da Índia, onde Ayesha se fez passar por sua irmã mais velha.

De acordo com a versão do esportista, ele teria descoberto a verdade em 2005, quando seu cunhado mostrou a ele a foto de uma professora na Arábia Saudita que dizia ser sua esposa... e que acabou sendo Ayesha.

A "esposa" diz que sua "gordura" levou ao repúdio de seu marido, que não era famoso quando se casaram e que o esportista teria oferecido US$ 1 milhão para que ela mantivesse silêncio sobre o assunto.

A família de Ayesha assegura ter provas do casamento e de sua consumação, mas prudentemente recorreu ao Código Penal Indiano para denunciar Malik em uma delegacia e não à Lei Pessoal Muçulmana, que permite a poligamia.

A falta de registro apropriado dos casamentos muçulmanos na Índia, o costume do casamento arranjado, os impedimentos legais, o repúdio social ao divórcio e a fama do casal acrescentam complexidade ao escândalo.

Em todo caso, Malik se mostrou seguro de seu amor por Sania, com quem apareceu hoje diante das câmeras após o interrogatório policial ao qual foi submetido horas antes.

"Não vou sair do país, estou aqui para limpar meu nome", disse o jogador de críquete, que reiterou várias vezes sua inocência e sua intenção de cooperar com a Justiça indiana.

"O casamento continua sendo no dia 15", assegurou Sania.

A Polícia interrogou o jovem paquistanês na residência de Sania em Hyderabab e confiscou seu passaporte durante a investigação do caso, segundo as agências indianas.

"Não façamos disto outra polêmica entre Índia e Paquistão, não importa sua nacionalidade. Deve ser julgado por enganar e trair uma mulher", disse à Agência Efe a presidente do Movimento pelos Direitos das Mulheres Muçulmanas da Índia, Naish Hassan.

Naish tem claro que Malik "insultou Ayesha desde o princípio" e que está "se aproveitando" da ausência de codificação da Lei Muçulmana.

"Em geral, não aceitamos como válidos os casamentos por telefone, mas de qualquer forma o homem é livre para casar-se com mais de uma mulher", disse à agência Efe Islam, mufti do seminário islâmico Darul Uloom, de Deoband, no estado de Uttar, no norte do país. EFE ja-ss/pd

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