Pouco depois de Barack Obama pronunciar seu primeiro discurso como novo presidente dos Estados Unidos, a poetisa Elizabeth Alexander tomará seu lugar na tribuna e lerá um poema destinado a entrar para a história.

Durante instantes que prometem ser cativantes, esta escritora americana de 46 anos sairá do semi-anonimato e apresentará diante de milhões de pessoas em Washington e no mundo um poema especialmente criado para a posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Esta é a apenas a quarta vez na história do país que se pede a um poeta para escrever algo para a cerimônia de posse presidencial, e esta encomenda extraordinária coloca em destaque a própria poesia como gênero literário.

Alguns vêem nisso um sinal de uma nova era em que a poesia e a cultura terão um lugar nos corredores do poder, depois de oito anos que, para muitos, foi um grande desperdício cultural na Casa.

"Acho que que a decisão do presidente Obama de que se leia um poema em sua posse marca sua abertura para novas idéias", comentou Stephen Young, diretor de programa da Poetry Foundation.

"A poesia renova nossa atenção para a linguagem e o poder da linguagem e pode nos ajudar a entender as coisas novas e que renovaremos a compreensão das coisas que considerávamos já sabidas".

"Elizabeth Alexander já disse que a poesia é um uso preciso da linguagem, algo que talvez tenha sido esquecido por nosso governo nos anos recentes".

Alexander é professora de estudos afro-americanos da Universidade de Yale e seu livro mais recente, "America Sublime", foi finalista do prêmio Pullitzer de 2005.

"Minha alegria por ter sido escolhida para compor e recitar um poema na ocasião da posse presidencial de Obama emana de meu profundo respeito para com ele como pessoa de palavras cheias de significado, muito poderosas", declarou Alexander em seu site.

"É um momento de impacto de nossa história. A alegria que snto é sóbria e profunda porque a luta e o sacrifício nos trouxe até aqui", acrescentou.

A artista reconhece o desafio que enfrenta ao aceitar a tarefa. "O poema tem um objetivo", indicou a equipe de transição de Obama em um comunicado. "O de falar sobre uma ocasião tremendamente histórica".

O primeiro poeta convidado a compartilhar uma composição em um ato de posse presidencial foi Robert Frost, que recitou o texto para John F. Kennedy em 1961.

Bill Clinton convidou Maya Angelou para que ler na posse de 1993 e depois Miller Williams em sua reeleição em 1997.

Os Estados Unidos são um dos poucos países ocidentais que não tem uma secretaria de Artes, algo que o produtor musical Quincy Jones - que pediu a Obama que crie esta pasta - espera que mude.

"Viajei por todo mundo durante 54 anos. As pessoas no exterior sabem mais de nossa cultura que nós mesmos", afirmou Jones ao jornal The Washington Post.

Até a sexta-feira, 122.439 pessoas já assinaram uma petição on-line apoiando a causa de Jones.

jkb/cn

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