Poder iraniano descarta fraude e G8 pede fim da repressão no país

O poder iraniano afirmou nesta sexta-feira que a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad foi a mais limpa da história do regime islâmico, no momento em que o G8 conclamava Teerã a por um fim à repressão dos manifestantes que denunciam fraudes.

AFP |

"Podemos afirmar que não houve fraude", declarou Abbasali Kadkhodai, porta-voz do Conselho dos Guardiões da Constituição, encarregado de confirmar a validade das eleições.

O conservador moderado Mir Hossein Moussavi, principal adversário de Ahmadinejad e líder do movimento de contestação que seguiu a eleição de 12 de junho, e o reformador Mehdi Karubi pedem a anulação da votação por fraude.

"A última eleição foi a mais limpa de todas as presidenciais no Irã", garantiu Kadkhodai. "As verificações feitas nos últimos dez dias mostram que, fora algumas irregularidades menores normais, não houve irregularidades maiores", afirmou.

O porta-voz já descartara terça-feira uma invalidação da reeleição do presidente ultraconservador. O Conselho anunciou que confirmará definitivamente o resultado antes da próxima segunda-feira.

Manifestações sem precedentes em três décadas de República Islâmica seguiram o anúncio da vitória de Ahmadinejad com mais de 63% dos votos. O regime reprimiu duramente os protestos, deixando pelo menos 17 mortos, segundo a imprensa oficial.

Reunidos em Trieste, na Itália, os ministros das Relações Exteriores do G8 pediram o fim da violência contra os manifestantes. Afirmando respeitar a soberania do Irã, o italiano Franco Frattini disse que a declaração do G8 "lamenta" a onda de violência e pede ao poder iraniano que respeite principalmente "o direito de expressão".

O G8 não aceita "nem a violência, nem a repressão, nem a expulsão de jornalistas", declarou.

Seu colega britânico, David Miliband, qualificou de "lamentável" a violência dos dez últimos dias, com várias pessoas mortas ou espancadas pelos policiais ou os milicianos bassijs. Ele ainda disse que "a ideia segundo a qual os manifestantes são manipulados por poderes estrangeiros carece totalmente de fundamento".

Ahmad Khatami, um influente dignitário religioso iraniano, pediu ao governo que "controle melhor" a imprensa estrangeira, acusada pelo regime de ter provocado as manifestações.

"As imprensas americana, europeia e britânica mostraram sua perversidade nesta história", denunciou em uma oração pronunciada nesta sexta-feira em Teerã. "Eles estão colocando lenha na fogueira. Como podem circular livremente pelo país? Espero que o governo passe a controlá-los melhor", accrescentou.

"Eles mentem. Vejam o caso desta mulher que morreu e pela qual (o presidente americano Barack) Obama derramou lágrimas de crocodilo. Basta assistir a este filme para perceber que os baderneiros criaram esta história", afirmou.

O religioso se referia à morte de uma jovem iraniana, Neda Agha Soltan, baleada no peito durante um protesto em Teerã. Sua agonia foi filmada e amplamente divulgada na internet, provocando uma grande emoção em todo o mundo.

As autoridades já impuseram fortes restrições à imprensa estrangeira nos últimos dias, proibindo principalmente o acompanhamento das manifestações da oposição.

Elas anunciaram a detenção do jornalista Jason Fowden, que tem a dupla nacionalidade grega e britânica, depois da do jornalista Maziar Bahari, canadense e iraniano, que trabalhavam para publicações americanas. O correspondente permanente da BBC no Irã, Jon Leyne, foi expulso do país.

O candidato conservador à eleição presidencial, Mohsen Rezai, que desistiu de sua queixa no Conselho dos Guardiões, afirmou que continuará lutando para "reparar os danos causados ao regime islâmico".

bur/yw

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