Santiago do Chile, 9 dez (EFE).- A pobreza diminuiu consideravelmente na América Latina e no Caribe entre 2002 e 2007, mas no ano passado ainda atingia 184 milhões de pessoas (34,1% da população regional), segundo um relatório divulgado hoje pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

De acordo com o estudo "Panorama Social 2008", apresentado em Santiago do Chile, em comparação com 2002, quando a pobreza afetava 44% (221 milhões) dos latino-americanos e caribenhos, o número de pobres na região caiu 9,9 pontos (37 milhões).

Já o total de pessoas em situação de miséria diminuiu de 97 milhões (19,4%) em 2002 para 68 milhões (12,6%) no ano passado, destaca o documento apresentado pela secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

Embora animadores, esses avanços praticamente estacionaram em 2008, ano em que, segundo estimativas, a pobreza diminuirá menos de um ponto, para 33,2% (182 milhões de pessoas), enquanto a miséria aumentará para 12,9% (71 milhões).

Para 2009, a Cepal prevê que, em virtude da atual crise internacional, a criação de empregos se estagnará, o que se traduzirá em um aumento moderado dos pobres e indigentes, cuja situação talvez seja amenizada pela atual contenção dos preços dos alimentos.

Por enquanto, o número de pobres na região se mantém 10,1 pontos acima dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que são de 24%, e 1,3 ponto acima da meta relacionada à diminuição da pobreza extrema, de 11,3%.

A redução da pobreza nos últimos anos foi especialmente significativa na Argentina, onde caiu de 45% em 2002 para 21% em 2006, embora esse número seja similar ao registrado em 1990, o que significa que o país "encontra-se praticamente igual" a 18 anos atrás, segundo Bárcena.

Entre 2002 e 2007, Colômbia, Equador, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela registraram recuos de pelo menos 1,5% ao ano em suas populações de pobres, ao passo que na República Dominicana a miséria aumentou e só no Uruguai tanto a pobreza como a indigência cresceram.

Segundo a Cepal, a diminuição da pobreza na América Latinha e no Caribe se deve tanto ao crescimento econômico da região, cujo Produto Interno Bruto aumentou 5,7% no ano passado, como à melhora na distribuição de renda, que fez o total de pobres cair de 60% a 70% entre 2002 e 2007.

As nações com menos pobres na América Latina e no Caribe são: Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai, onde existem taxas inferiores a 22%. Já em Brasil, México, Panamá e Venezuela, os pobres são menos de 32% da população desses países.

Por sua vez, Colômbia, Equador, El Salvador, Peru e República Dominicana têm taxas de 38% a 48%, enquanto as porcentagens mais altas, acima de 50%, são registradas em Bolívia, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Paraguai.

Ainda de acordo com o estudo da Cepal, os gastos públicos aumentaram de forma generalizada entre 1990 e 2007, o que melhorou o nível de bem-estar dos mais pobres e contribuiu para redução da desigualdade em todos os países, com a exceção da Guatemala, de Honduras e da República Dominicana.

No entanto, a Cepal acha que as despesas do Estado na área social continuam sendo "altamente pró-cíclicas", em vez de serem de caráter "anticíclico".

Quanto às projeções para 2008, os números refletem o impacto do aumento dos preços dos alimentos e das matérias-primas desde o ano passado, o que teria impedido que, este ano, 11 milhões de pessoas saíssem da pobreza e mais 11 milhões deixassem a miséria.

Além disso, a Cepal prevê que a crise mundial fará diminuir as exportações da região, os investimentos no setor produtivo e as remessas dos imigrantes que vivem em países desenvolvidos.

Nesse contexto, o órgão, pertencente às Nações Unidas, prevê que o emprego se estagnará em 2009 e que os salários reais se manterão estáveis ou sofrerão leves baixas, o que comprometerá a renda das famílias, especialmente dos trabalhadores autônomos e dos assalariados informais.

Além disso, a Cepal considera "altamente provável" que o desemprego aumente, especialmente entre as mulheres e os jovens, e recomenda aos países investir mais na educação das crianças, já que a população infantil está diminuindo em termos relativos e absolutos. EFE frf/sc

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