Pobreza instiga comércio de órgãos humanos pela internet na Indonésia

Juan Palop. Jacarta, 17 jan (EFE).- A miséria de milhões de pessoas na Indonésia instiga o comércio ilegal de órgãos humanos através da internet em páginas de anúncios classificados onde, às claras e sem intermediários, são oferecidos rins a partir de US$ 5 mil.

EFE |

"Vendo rim. Preciso de dinheiro para pagar dívidas. Homem, 29 anos. Não fumo nem consumo drogas". "Tenho 24 anos. Vendo meu rim urgentemente. Agradeço dinheiro antecipado". "Estou muito interessado em vender um rim. Tipo de sangue: O. Disponibilidade imediata".

Estas são algumas das mensagens colocadas na última semana em dois dos mais populares websites de anúncios da Indonésia, os portais "Gratisiklan" e "Iklanoke".

Os anunciantes são em sua maioria jovens e estudantes com dificuldades para custear seus estudos, embora também haja adultos desempregados incapazes de pagar suas dívidas e mães que querem assegurar a alimentação e educação de seus filhos.

Muitos não têm nenhum medo de escrever seus nomes reais na rede ou de deixar seus números de telefone e endereços de e-mail para os interessados.

Os preços, que se especificam em menos da metade das ocasiões ou aparecem acompanhados da delatora palavra "negociável", oscilam entre os 50 milhões e 800 milhões de rúpias (US$ 5.300 e US$ 87.400).

Quando um potencial comprador entra em contato, costuma exigir primeiro uma análise médica exaustiva em um hospital particular para comprovar o estado de saúde do fornecedor e a qualidade do órgão que procura, segundo indicam os especialistas.

Depois, se os resultados da revisão são satisfatórios, o interessado, geralmente estrangeiro, custeia ao doador interessado uma viagem a um terceiro país, em muitos casos Cingapura, onde se pode realizar o transplante com todas as garantias de saúde.

O tráfico ilegal de órgãos humanos não é delito recente na Indonésia, como reconhece o próprio Governo do país, que carece de uma estimativa oficial do alcance do problema.

Dois jovens indonésios de 26 e 27 anos foram condenados em 2008 em Cingapura por acertar a venda de seus rins a moradores ricos da cidade-estado, embora a operação não tenha chegado a ser consumada.

No entanto, a novidade que representa a proliferação destes anúncios através de internet é que, pela primeira vez, as máfias que controlam este mercado ilegal na Indonésia e que embolsam suculentas comissões se aproveitam das novas tecnologias, segundo os especialistas.

A nova Lei de Saúde, aprovada pelo Parlamento indonésio em outubro do ano passado, proíbe explicitamente o tráfico de órgãos, uma questão que não se contemplava antes, e estipula penas de até dez anos de prisão e multas de um bilhão de rúpias (US$ 110 mil) para os infratores.

No entanto, a lei admite que possam acontecer doações por "razões humanitárias", o que deixa a porta aberta para irregularidades e abusos.

Segundo o Banco Mundial, cerca de 100 milhões de pessoas na Indonésia, 40% de sua população, vivem com menos de US$ 2 ao dia e a venda de um rim em troca de US$ 5.000 pode ser o meio para sair da miséria. EFE jpm/ma

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