Washington, 10 set (EFE).- Cerca de 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos são pobres, o que representava 13,2% da população do país em 2008, informou hoje o Governo americano.

Em 2007, a proporção de pessoas consideradas como pobres nos EUA era de 12,5% da população. O aumento entre 2007 e 2008 é o maior desde 1997.

O relatório também mostra que o número de pessoas sem seguro médico nos EUA aumentou para 46,3 milhões em 2008.

Os números negativos refletem os estragos causados pela recessão no país e que afetam principalmente as minorias negra e hispânica, segundo o documento divulgado hoje pelo Escritório do Censo americano.

Além disso, a renda média familiar anual caiu 3,6% entre 2007 e 2008 para pouco mais de US$ 50 mil, disse a entidade durante uma teleconferência.

Segundo o estudo, o aumento no número de pessoas sem cobertura de saúde em 2008 - o primeiro ano completo de recessão após seu início em dezembro de 2007 - se deve à contínua perda de empregos nos EUA, onde a maioria dos trabalhadores recebe o plano de saúde como parte de seus rendimentos.

Um trecho do relatório destaca, por exemplo, que o índice de pobreza entre os hispânicos cresceu de 21,5% em 2007 para 23,2% no ano seguinte. Entre os negros, a cifra se manteve em 24,7% no período.

Já entre os asiáticos, a proporção de pobres aumentou de 10,2% há dois anos para 11,8% em 2008. Em relação aos brancos, o índice de pobreza subiu pouco no mesmo período, de 8,2% para 8,6%.

Quanto à falta de cobertura médica - o grande assunto em discussão no Congresso americano atualmente -, o número de 46,3 milhões de pessoas em 2008 apontado pelo Governo dos EUA não inclui quem perdeu o plano de saúde ao ficar sem emprego no final do ano passado. Por isso, a cifra comumente usada na imprensa local fala em pouco mais de 47 milhões de pessoas.

A presidente do Comitê Econômico Conjunto do Congresso, a democrata Carolyn Maloney, disse que o relatório representa a "década perdida" dos americanos por culpa "das fracassadas políticas econômicas da Administração (do ex-presidente George W.) Bush".

As consequências de não fazer nada "são graves e, no que se refere a nossa economia, há muita coisa em jogo", advertiu a congressista.

Após seu discurso de ontem à noite ao Congresso americano, o presidente dos EUA, Barack Obama, reiterou hoje na Casa Branca que o relatório divulgado hoje demonstra a urgência "inadiável" de reformar o sistema de saúde.

"Nos últimos 12 meses, calcula-se que o número de pessoas sem seguro aumentou em quase seis milhões de pessoas, ou seja, 17 mil homens e mulheres a cada dia", disse Obama. EFE mp/bba

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