PML-N rompe coalizão do Governo do Paquistão com PPP

Igor G. Barbero Islamabad, 12 mai (EFE) - As fortes divergências entre os dois principais membros do Governo de coalizão do Paquistão fizeram a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), do ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif, anunciar sua saída do Executivo apenas 40 dias após sua formação.

EFE |

Em entrevista coletiva, Sharif anunciou que os ministros de seu partido apresentarão a renúncia amanhã.

Segundo ele, a decisão foi tomada em resposta às diferenças com o Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, sobre a restauração dos juízes destituídos do Tribunal Supremo do Paquistão pelo presidente do país, Pervez Musharraf.

"Não ficaremos em paz até que os juízes sejam restaurados e Musharraf, expulso", declarou Sharif, que se queixou de que o PPP não cumpriu o prazo estipulado pelos partidos da coalizão para reabilitar os magistrados, que expira hoje.

O ex-premiê destacou que a PML-N dará apoio parlamentar externo ao Executivo, sempre segundo as medidas que pretenda impulsionar.

O Governo quadripartido paquistanês, formado após as eleições de 18 de fevereiro, é composto pela PML-N, pelo PPP e por duas legendas minoritárias. O partido de Sharif ocupa nove dos 24 ministérios.

Sharif também anunciou que se apresentará nas eleições parciais que devem ser realizadas em junho - a PML-N formalizou hoje sua candidatura -, o que poderia fazer com que se elegesse deputado.

Isso possibilitaria que se tornasse primeiro-ministro no futuro.

O ministro da Educação, Ahsan Iqbal, que voltará à sua função de porta-voz da PML-N após apresentar sua renúncia amanhã, explicou à Agência Efe que, agora, seu partido "tem que desempenhar seu papel no Parlamento".

"A democracia tem que continuar", disse Iqbal, que acrescentou que "foi dado um voto claro contra Musharraf" nas eleições de fevereiro, "e que continuará havendo crises enquanto ele não for embora".

Em comunicado, o porta-voz do PPP, Farhatullah Babar, afirmou que a saída da PML-N do Gabinete é só uma "pausa" e não um "rompimento" no processo de restauração dos juízes e apostou por manter o diálogo com o partido de Sharif.

Babar alegou problemas legais para reabilitar os magistrados de forma imediata, mas ressaltou que seu partido está buscando a melhor fórmula para que os atuais juízes do Tribunal Supremo não sejam afetados pela volta dos cassados.

O porta-voz do PPP também explicou que o Governo não nomeará novos ministros para substituir os da PML-N, mas explicou que a pasta de Finanças não pode ficar vaga por muito tempo, pois o país está em plena crise econômica.

A saída do partido de Sharif do Executivo acontece depois de o ex-chefe de Governo paquistanês se reunir em Londres com o líder do PPP e viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, para fechar uma fórmula de reabilitação dos magistrados.

O anúncio de hoje coincide com o primeiro aniversário da morte de 41 pessoas em confrontos entre grupos governamentais e seguidores do ex-chefe do Tribunal Supremo Iftikhar Chaudhry na cidade de Karachi (sul), a maior do Paquistão.

Grupos de advogados protestaram hoje em Karachi para lembrar a data e pedir a reabilitação de Chaudhry e dos outros magistrados.

Musharraf destituiu Chaudhry e outros juízes do Tribunal Supremo em novembro de 2007, quando declarou o estado de exceção.

O então presidente do Tribunal Supremo analisava vários casos contra a reeleição presidencial de Musharraf em outubro do ano passado, assim como recursos contra uma ordem do presidente e outorgava uma anistia a Bhutto e seu marido.

Após a vitória nas urnas, Sharif exigiu a restauração dos juízes e criticou insistentemente Musharraf, mas o PPP se mostrou menos beligerante com o presidente e mais ambíguo sobre a volta dos magistrados do Tribunal Supremo. EFE igb/wr/db

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