PMA suspende operações no sul da Somália

Por Daniel Wallis NAIRÓBI (Reuters) - O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU suspendeu suas operações em grande parte do sul da Somália devido a ameaças contra seus funcionários e a exigências inaceitáveis de rebeldes que controlam a área, disse um porta-voz da agência na terça-feira.

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O PMA tem papel central nos esforços internacionais contra a grave crise humanitária na Somália, país africano abatido por secas e conflitos. Especialistas dizem que metade da população precisa de ajuda.

"Condições inaceitáveis e exigências de grupos armados perturbaram a capacidade do PMA de alcançar algumas das pessoas mais vulneráveis no sul da Somália", disse o porta-voz Peter Smerdon à Reuters. "Apesar dessa suspensão, o PMA continua ativo em grande parte do centro e norte da Somália, inclusive na capital, Mogadíscio."

Segundo ele, está praticamente impossível alcançar 1 milhão de mulheres, crianças e outras pessoas altamente vulneráveis no sul. Cerca de três quartos dos 3,76 milhões de somalis que precisam de ajuda se concentram no centro e sul do país, áreas em geral controladas pelo grupo rebelde Al Shabaab, acusado pelos EUA de ser uma filial da Al Qaeda.

Os confrontos no país mataram 19 mil civis desde seu início, em 2007, e deixaram 1,5 milhão de desalojados. Agências ocidentais de segurança dizem que a Somália se tornou refúgio de militantes islâmicos, que dali tramam atentados na região e além.

Smerdon disse à Reuters que a Al Shabaab controla 95 por cento do território onde o trabalho foi suspenso. Em novembro, os rebeldes fizeram várias exigências às agências humanitárias que atuam no sul da Somália.

"Elas incluíam a remoção de mulheres dos seus empregos e a exigência de um pagamento de 20 mil dólares a cada seis meses para a segurança", disse o porta-voz, acrescentando que anciões da Al Shabaab posteriormente exigiram que o PMA e seus contratados cessassem todas as atividades até 1o de janeiro de 2010.

Ele disse que o PMA levou a sério esse prazo. "Os estoques alimentares acabaram (...). A maior parte dos equipamentos foi levada embora (...), assim como obviamente todos os nossos funcionários. A segurança dos funcionários é uma preocupação chave para o PMA."

Ouvido por telefone na cidade portuária de Kismayu, um dirigente da Al Shabaab se alegrou com a notícia da suspensão. "É um grande prazer nosso que o PMA e outras agências de espionagem suspendam seu envolvimento na Somália (...). Nunca permitiremos que eles venham aqui outra vez", disse o xeque Ibrahim Garweyn.

(Reportagem adicional de Sahra Abdi)

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