PMA apresenta plano para ajuda a pequenos agricultores de países pobres

Nações Unidas, 24 set (EFE).- O Programa Mundial de Alimentos (PMA) apresentou hoje nas Nações Unidas uma iniciativa que ajudará cerca de 350 mil pequenos agricultores dos países mais pobres a aumentarem sua renda por meio da melhora do acesso aos mercados.

EFE |

O plano, que se chamou Purchase for Progress (P4P), conta com as contribuições da Bélgica, da fundação do fundador da Microsoft e de sua mulher - Bill e Melinda Gates - e da de Howard Buffett.

"Os mais pobres do mundo estão sofrendo o impacto dos altos preços dos alimentos e do petróleo, por isto que comprar assistência de alimentos em favor dos agricultores do mundo em desenvolvimento é uma boa solução no momento adequado", declarou a diretora-executiva do PMA, Josette Sheeran, em entrevista coletiva.

As duas fundações filantrópicas e o Governo belga comprometeram US$ 76 milhões que o PMA usará para comprar alimentos nas economias pouco desenvolvidas, especialmente nas da África Subsaaariana e nas da América Central.

O projeto inicial do P4P será lançado ao longo dos próximos cinco anos em vários países: Guatemala, Nicarágua, Burkina Fasso, República Democrática do Congo, Etiópia, Quênia, Libéria, Malauí, Mali, Moçambique, Ruanda, Serra Leoa, Sudão, Tanzânia, Uganda, Zâmbia, Afeganistão e Laos.

Para o PMA, esta iniciativa faz parte das contribuições para a obtenção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), lançados em 2000 e cuja meta é chegar a 2015 com uma redução da pobreza do mundo à metade.

A crise de alimentos criada pelo aumento dos preços de alguns produtos agrícolas básicos prejudica, sobretudo, os países mais pobres e os que necessitam comprar alimentos no exterior.

Esta iniciativa pretende reforçar os mercados locais, nos quais os pequenos agricultores vão vender o excedente de seus produtos.

Ao mesmo tempo, o PMA introduziu algumas inovações em seu sistema de aquisição de alimentos em leilões o que, segundo Sheeran, reforçará a posição destes agricultores nos mercados.

Além disso, unirá seus esforços aos da Aliança para uma Revolução Verde na África, que procura ajudar os pequenos produtores a reforçarem sua produtividade e a melhorarem suas técnicas agrícolas e sementes.

"Desenvolver novos caminhos para que o PMA possa adquirir alimentos nos mercados locais representa um avanço importante para a uma mudança que pode beneficiar milhões de famílias rurais pobres na África Subsaariana e em outras regiões", declarou Bill Gates em entrevista coletiva.

A fundação que tem seu nome comprometeu US$ 900 milhões com programas agrícolas em benefício dos pequenos agricultores da África e do Sul da Ásia, que em sua maioria são mulheres.

"Esta é exatamente a classe de colaboração entre o público e o privado que necessitamos para avançar nos Objetivos do Milênio e combater a fome e a extrema pobreza no mundo", declarou Gates.

"Ajudaremos estes pequenos agricultores a serem produtores líquidos mais que consumidores líquidos", afirmou Howard Buffett, presidente da fundação que tem seu nome.

A crise financeira que começou nos Estados Unidos e que se espalhou para as nações mais ricas gerou desalento entre os países em desenvolvimento e as autoridades da ONU, que temem que estas turbulências acabem propiciando vítimas colaterais entre os mais pobres, que receberão menos ajudas.

O PMA é a organização da ONU responsável por adquirir alimentos para operações humanitárias e em 2007 assistiu 86 milhões de pessoas famintas, com as quais gastou US$ 612 milhões em alimentos nos países em desenvolvimento.

A fundação de Gates comprometeu US$ 66 milhões para realizar projetos em 10 países da África, a de Buffett outros US$ 9,1 milhões para sete nações, entre as quais estavam várias centro-americanas, e o Governo belga US$ 750 mil para a República Democrática do Congo.

EFE emm/fal

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