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Pleito iraquiano pode alterar agenda política e militar de Obama

Céline Aemisegger. Washington, 6 mar (EFE).- As eleições legislativas iraquianas de amanhã são tão importantes para a maturidade democrática do país como para os Estados Unidos, que querem que Bagdá assuma as rédeas da nação e que o doloroso capitulo da invasão de 2003 se torne página virada.

EFE |

Os EUA tiveram que enfrentar inúmeros obstáculos e revezes desde a chegada de suas tropas ao Iraque, há sete anos. Coincidência ou não, recentemente Washington deu a entender que o futuro do país árabe e das relações bilaterais nunca esteve tão em jogo como agora, com as eleições parlamentares.

Segundo analistas, no plano político, o pleito será determinante para o futuro da relação dos EUA com o Iraque. No militar, o resultado da eleição terá um impacto inevitável sobre a retirada das tropas.

Pôr fim à impopular invasão do Iraque, que já matou 4.380 militares americanos e custou centenas de bilhões de dólares aos cofres públicos, foi uma das promessas eleitorais do presidente Barack Obama. Ainda no ano passado, ele anunciou que os soldados em solo iraquiano voltariam para casa até o fim de 2011.

Já em janeiro, em seu discurso sobre o Estado da União, ele garantiu que "a guerra está chegando ao fim" e que está próxima a hora de os militares retornarem aos EUA. É por tudo isso que a promessa de Obama também estará sendo colocada à prova amanhã, quando 18,9 milhões iraquianos elegerão um novo Governo.

Se as eleições transcorrerem sem complicações, as tropas abandonarão progressivamente o Iraque, segundo o calendário anunciado pelos EUA. Mas se houver uma crise, talvez Obama mude sua estratégia, o que poderia afetar uma de suas principais metas de política interna: a geração de postos de trabalho.

Com o desemprego perto dos 10 % e uma economia que só agora começa a se recuperar da recessão,o Iraque deixou de ser uma prioridade para Obama, que decidiu se concentrar em questões internas e na segunda frente bélica que herdou de George W. Bush.

A fase crítica para os EUA começará imediatamente após o pleito iraquiano, quando os líderes políticos do país árabe, divididos em várias coalizões, terão que formar Governo. Mas, na memória coletiva, ainda estão as eleições de 2005, que não conseguiram pôr fim à insegurança, à crescente corrupção e às tensões sectárias.

O embaixador americano em Bagdá, Christopher Hill, recentemente disse em Washington que a formação de um novo Governo iraquiano poderá "levar algum tempo", embora tenha destacado que o clima político e de segurança é "diferente" do que havia em 2005.

Apesar de ter admitido que a segurança no Iraque sempre é motivo de "preocupação", ele se mostrou confiante quanto à realização de eleições livres e justas, do contrário isso seria "bastante desalentador para a democracia" naquele país.

De qualquer forma, o chefe das tropas americanas no Iraque, o general Ray Odierno, elaborou "planos de contingência" para qualquer eventualidade e para poder reduzir o ritmo da retirada caso preciso, revelou na semana passada no Pentágono.

Depois, o secretário de Defesa, Robert Gates, relativizou as declarações do subordinado dizendo que só um "agravamento considerável" da segurança no Iraque provocaria um ajuste nos planos do Governo dos EUA para o Iraque.

"O verdadeiro teste não será a reação dos vencedores, mas a aceitação dos resultados pelos perdedores. A qualidade de uma democracia é determinada pelos perdedores", definiu Christopher Hill. EFE cai/sc

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