Yangun (Mianmar) - A Junta Militar de Mianmá (antiga Birmânia) anunciou hoje que adiará a realização do plebiscito constitucional do próximo sábado nas áreas castigadas pelo ciclone tropical Nargis, que deixou pelo menos 15 mil mortos no país.

Um anúncio retransmitido pela televisão estatal informou que a consulta popular acontecerá no dia 24 de maio em cerca de 50 divisões das regiões de Irrawaddy, Pegu, Yangun e nos estados de Karen e Mon, onde se mantém o estado de emergência declarado no sábado passado após a passagem da tempestade.

Essas regiões abrigam cerca da metade dos 53 milhões de birmaneses. As autoridades assinalaram que o plebiscito acontecerá na data prevista no restante do país.

O ministro de Assuntos Exteriores tailandês, Noppadol Pattama, disse hoje em Bangcoc que o embaixador birmanês o informou que há cerca de 30 mil pessoas desaparecidas em Mianmar por causa do "Nargis".

A televisão estatal birmanesa disse na manhã de hoje que pelo menos 15 mil pessoas morreram por causa do ciclone, enquanto centenas de milhares estão desabrigadas, de acordo com a ONU.

A Junta Militar - que mantém tensas relações com os Estados Unidos, a União Européia (UE) e outros Governos, por conta das pressões que recebe para a realização de reformas democráticas - aceitou o auxílio humanitário que essas nações ofereceram.

No entanto, 800 toneladas de arroz continuam paradas nos armazéns do Programa de Alimentos das Nações Unidas, à espera do sinal verde das autoridades para que sejam distribuídas.

Está prevista a chegada hoje a Yangun da primeira carga de alimentos, remédios e demais materiais de emergência procedentes da Tailândia, um dos principais parceiros da Junta Militar.

A população nas regiões atingidas vive há três dias sem provisão de água e de eletricidade, e os preços dos artigos básicos dispararam devido à escassez e à especulação.

O plebiscito é o primeiro passo do chamado "Mapa de Caminho" em direção à democracia do país, que será concluído, segundo afirma o regime, com eleições livres em 2010.

Mianmá é governada por militares desde 1962, e não realiza eleições democráticas desde 1990, quando o partido oficial foi esmagado pela coalizão opositora da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, um pleito que não teve seu resultado reconhecido pela Junta Militar.

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