Plebiscito constitucional chega às áreas devastadas por ciclone em Mianmar

Yangun (Mianmar), 23 mai (EFE).- Mianmar (antiga Birmânia) realiza amanhã seu segundo dia de votação do plebiscito constitucional, apenas nas regiões arrasadas no início do mês pela passagem do ciclone Nargis, que até agora deixou mais de 78 mil mortos e 2,4 milhões de pessoas desabrigadas.

EFE |

Por causa dos estragos causados pelo ciclone, a Junta Militar birmanesa adiou a consulta popular em Yangun e em outros 47 municípios da região do delta do rio Irrawaddy, mas realizou o plebiscito no dia 10 nas outras áreas do país, contrariando os pedidos da oposição democrática e da comunidade internacional.

O texto sancionado pelo Governo obteve apoio de 92,4% dos eleitores e a participação popular foi de 99%, segundo dados oficiais anunciados pelo regime birmanês.

A oposição denuncia que o resultado foi manipulado pela Junta Militar, cujas forças de segurança têm intimidando ou prendendo todos os que se manifestam publicamente contra o projeto de Constituição.

O principal partido da oposição, Liga Nacional pela Democracia, da Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi, anunciou ontem a prisão de 13 de seus militantes horas antes da visita ao país de Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, o primeiro líder da ONU a visitar Mianmar em quatro décadas.

No plebiscito do dia 10, alguns eleitores afirmaram que foram impedidos de votar. Houve casos em que alguns foram obrigados a preencher a cédula na frente de um funcionário do Governo, enquanto outros foram comunicados que seus votos já tinham sido emitidos, sem ter conhecimento disso.

O plebiscito constitucional é o primeiro passo do plano em direção à democracia elaborado pela Junta Militar e que prevê a realização de eleições parlamentares em 2010. EFE csm/wr/plc

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