PLD elegerá terceiro primeiro-ministro do Japão sem passar pelas urnas

Fernando A. Busca.

EFE |

Tóquio, 2 set (EFE).- O Japão se dispõe a escolher seu terceiro chefe de Governo em menos de dois anos sem passar pelas urnas, pois o mesmo será designado em eleições internas do Partido Liberal-Democrata (PLD), que dirigiu o país durante meio século.

Alguns dos líderes do partido já começaram a partir de hoje a tomar posições após a repentina renúncia, nesta segunda-feira, do então primeiro-ministro, Yasuo Fukuda, que será substituído como líder do partido em 22 de setembro em cerimônia interna do PLD e, posteriormente, votado pela Câmara Baixa.

O primeiro candidato a dar um passo à frente foi Taro Aso, um veterano de 67 anos com ampla experiência na administração, carismático e com simpatia principalmente entre os jovens, e que já disputou contra Fukuda o governo japonês há um ano.

Aso, atual secretário-geral do PLD, se ofereceu para assumir o cargo na última segunda, pois se diz "qualificado" para o trabalho após discutir com Fukuda os planos atuais do Governo, inclusive uma intensa injeção, anunciada na semana passada, para reativar a segunda maior economia do mundo.

Tanto se Aso for eleito como se o partido optar por outro candidato, como a ex-titular da Defesa Yuriko Koike, o próximo primeiro-ministro voltará a se deparar com o Senado, controlado há um ano pelo opositor Partido Democrático (PD).

Quem já anunciou que não tentará voltar a ser primeiro-ministro é Junichiro Koizumi, que governou o Japão entre 2001 e 2006 e foi quem conseguiu a arrasadora maioria na Câmara Baixa, na qual o PLD ainda se mantém.

Embora o próximo primeiro-ministro japonês volte a sofrer as "dores de cabeça" provocadas pela oposição, citadas por Fukuda em sua despedida, a possibilidade de antecipação das eleições gerais, previstas para setembro de 2009, parece perder intensidade.

O PLD hesita em participar do controle político em um momento delicado para o Japão, com a economia à beira da recessão.

O último dado de crescimento econômico, publicado há pouco mais de duas semanas, evidenciou a situação: entre abril e junho a economia experimentou uma contração de 2,4% por causa da queda do consumo e de uma freada forte nas exportações.

Além disso, a renúncia de Fukuda não parece ter melhorado o estado de ânimo dos mercados, pois o Nikkei (índice da Bolsa de Valores de Tóquio) caiu hoje para o nível mais baixo em cinco meses.

A partir de agora os japoneses presenciarão mais uma vez como se inicia a maquinaria interna do PLD perto da campanha interna, que começará dentro de oito dias.

É o momento de sondar vontades, seduzir para conseguir apoios e planejar vinganças no obscuro mundo interno do PLD, dividido em diversas facções que, com muito sigilo, atuam como Parlamento alternativo ao parlamento japonês.

Por enquanto, membros da maior facção interna do PLD, liderada pelo atual ministro porta-voz, Nobutaka Machimura, já confirmaram que não apresentarão nenhum candidato para as eleições.

Afinal de contas, os dois últimos primeiros-ministros, Fukuda e Shinzo Abe, são membros da facção Machimura e ficaram menos de um ano no cargo.

O processo será seguido atentamente pelo PD, que também está imerso na eleição do homem que liderará o partido nas próximas eleições gerais e que, provavelmente, continuará sendo Ichiro Ozawa, antigo membro do PLD.

Ozawa e o secretário-geral do partido, Yukio Hatoyama, se reuniram hoje na sede do partido e decidiram acelerar os preparativos para as próximas eleições gerais.

Eleições estas que estão mais indefinidas do que nunca e na qual pode acontecer uma vitória opositora, por causa das circunstâncias econômicas e da falta de legitimidade pública com a qual nascerá o próximo Governo japonês. EFE fab/fh/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG