Joaquim Utset. Nações Unidas, 7 jan (EFE).- O Conselho de Segurança (CS) da ONU deu hoje uma pausa, após três dias de intensas negociações diplomáticas, à espera de que a trégua proposta pelo Egito consiga pôr fim ao conflito em Gaza.

Os 15 membros do conselho suspenderam uma nova reunião do organismo sem conseguir alcançar um acordo, mas asseguraram que seguirão negociando à espera do resultado da proposta do Egito.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assim como os chanceleres da França, Bernard Kouchner, e do Reino Unido, David Miliband, decidiram permanecer mais um dia em Nova York para continuar com os esforços diplomáticos.

"Ainda há muito trabalho a ser feito", reconheceu Rice, depois de realizar uma reunião na sede da ONU com Kouchner, Miliband e alguns dos chanceleres árabes.

Fontes diplomáticas afirmaram que a suspensão da reunião permite observar o desenvolvimento dos eventos na região, em particular o resultado dos contatos com o Governo israelense para que seja aceita a proposta egípcia.

O plano inclui ações para pôr fim ao contrabando de armas em Gaza e evitar o rearmamento do grupo islâmico Hamas, depois que acabe o atual conflito, uma das principais preocupações de Israel.

Os EUA reiteraram nos últimos dias que um acordo de cessar-fogo deve incluir medidas que evitem um retorno à situação de antes do início das hostilidades, em 27 de dezembro.

Entre elas se encontra o retorno da Autoridade Nacional Palestina (ANP), expulsa pelo Hamas de Gaza em junho de 2007 quando o grupo islâmico assumiu o controle do território.

O ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Abu el-Gheit, assegurou que seu país espera a chegada, na quinta-feira, ao Cairo de uma delegação israelense "de alto nível", para discutir o conteúdo do plano do presidente Hosni Mubarak.

Ao mesmo tempo, disse em um encontro com a imprensa, que o Hamas ainda não respondeu de forma clara se aceita a proposta egípcia.

Nesse contexto, a França propôs hoje ao conselho uma declaração presidencial de apoio à sugestão do Egito, que é vista como uma alternativa ao projeto de resolução apresentado na terça-feira pela Líbia em nome da Liga Árabe.

Os EUA e outros países ocidentais rejeitam o texto líbio, ao consideraram que ele não faz referência alguma ao Hamas.

O projeto líbio exige um cessar-fogo, pede que Israel encerre suas atividades militares, ponha fim ao bloqueio ao qual o território palestino está submetido e estabelece o envio de observadores em Gaza.

Por outro lado, a declaração elaborada por França, Reino Unido e EUA encoraja a todos os agentes envolvidos no conflito a apoiar a proposta anunciada na terça-feira, após a reunião do presidente do Egito com o da França, Nicolas Sarkozy.

Os países da Liga Árabe, que desde segunda-feira têm vários de seus chanceleres em Nova York para forçar o Conselho de Segurança a deter a ofensiva israelense, asseguraram que a declaração francesa é insuficiente.

O embaixador egípcio na ONU, Maged Abdelaziz, observou hoje que nenhum dos ministros quer retornar a seu país, depois da aprovação de um texto no conselho, e que no dia seguinte continuem as mortes em Gaza.

"Enquanto Israel não aceitar a proposta, ou deter suas ações, não aceitaremos outra coisa que não seja a resolução", afirmou.

Abdelaziz assegurou que os países árabes estudarão várias emendas ao projeto de resolução líbio sugeridas por alguns membros do conselho, com a intenção de submetê-lo a votação o mais rápido possível.

O Conselho de Segurança da ONU fez cinco reuniões desde o início das hostilidades sem conseguir um resultado tangível.

Apenas no primeiro dia da ofensiva chegou a adotar uma breve declaração pedindo cessar-fogo.

Por isso, o presidente da Assembléia Geral da ONU, o nicaragüense Miguel D'Decoto, convocou para esta quinta-feira uma reunião de emergência no órgão, dada a "inoperância" do Conselho de Segurança em deter a ofensiva israelense em Gaza.

"A ONU não pode ser testemunha muda do massacre que está acontecendo em Gaza e deve levantar sua voz para que haja um cessar-fogo imediato e a população civil palestina seja adequadamente protegida", anunciou à Agência Efe o porta-voz de D'Decoto, Enrique Yeves. EFE jju/rr

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