Joaquim Utset. Nações Unidas, 6 jan (EFE).- Os membros do Conselho de Segurança da ONU se mostraram hoje favoráveis ao plano proposto por Egito e França para deter a ofensiva israelense em Gaza e iniciar, assim, um diálogo que evite uma futura repetição do conflito.

O chanceler francês, Bernard Kouchner, informou sobre o plano ao conselho, organismo que a França preside em janeiro, e afirmou que foi proposto pelos presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da França, Nicolas Sarkozy, ao fim da segunda reunião que os dois líderes tiveram hoje na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh.

"A declaração do presidente Mubarak, que é muito clara, foi interpretada por todos os oradores como um bom sinal e uma esperança", disse o ministro francês depois do debate, que o principal órgão executivo das Nações Unidas realizou sobre Gaza.

A proposta franco-egípcia teve o apoio do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e dos chanceleres dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, e do Reino Unido, David Miliband, entre outros.

Também foi apoiado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que exigiu o fim do "genocídio" do qual a população civil de Gaza é vítima.

"Não podemos aceitar nada que não seja uma urgente intervenção do Conselho de Segurança para deter os projéteis", disse.

O líder da ANP foi à ONU para impulsionar um projeto de resolução que exija um cessar-fogo, a retirada das tropas israelenses de Gaza e o levantamento do bloqueio ao que o território palestino está submetido.

Também inclui a criação de um mecanismo internacional para supervisionar a situação na Faixa de Gaza.

A Líbia apresentou formalmente, em nome da Liga Árabe, uma resolução que pede a Israel que cesse suas atividades militares e ponha fim ao bloqueio ao que o território palestino está submetido.

O texto culpa Israel pela atual crise, sem mencionar os lançamentos de foguetes efetuados pelo movimento islâmico Hamas contra o sul do território israelense, que o Estado judeu cita como o motivo que levou à sua atual ofensiva.

As potências ocidentais rejeitaram a proposta líbia, que provavelmente ainda nesta quarta-feira será submetida à votação, por considerá-la desequilibrada ao não fazer referência ao Hamas.

O texto que mais atraiu a atenção dos presentes na reunião foi a proposta elaborada por Mubarak e Sarkozy.

Kouchner assinalou que o líder egípcio está à espera da resposta do Governo israelense sobre a nova iniciativa.

"O presidente Mubarak convidou o primeiro-ministro israelense (Ehud Olmert) a ir quarta-feira ao Cairo. Há dois grupos técnicos dos dois países prontos para começar a trabalhar", assegurou.

Segundo ele, a proposta pede a "Israel e às facções palestinas que declarem um cessar-fogo imediato por um período limitado" que permita a entrada de ajuda humanitária e dê tempo para que se alcance um fim da violência "integral e durável".

Kouchner disse que o texto convida "Israel e as facções palestinas a uma reunião urgente para alcançar um acordo que garanta que não se repita a atual escalada, abordando suas causas, entre elas a proteção da fronteira, a reabertura dos postos fronteiriços e o levantamento do bloqueio".

No entanto, Rice se mostrou menos entusiasta que o chanceler francês, embora tenha manifestado uma opinião propícia de seu país à iniciativa.

Rice reiterou que a verdadeira saída ao conflito não passa por retornar à situação em que se encontrava Gaza antes de 27 de dezembro, quando começaram as hostilidades.

Para a secretária de Estado americana, a meta de qualquer acordo deve ser "a normalização e a estabilização de Gaza", o que inclui que o controle do território volte à ANP.

A embaixadora israelense perante a ONU, Gabriela Shalev, insistiu em seu discurso que o autêntico responsável pelo sofrimento dos habitantes de Gaza é a direção do movimento islâmico que se empenha em atacar o sul de Israel.

"O Hamas usa a tática do terrorista, a tática do covarde, que utiliza os civis de escudo enquanto seus líderes se escondem", acrescentou.

O ministro de Assuntos Exteriores líbio, Abderrahman Chalgham, indicou na saída da reunião que a aparição da proposta franco-egípcia não afeta a resolução apresentada por seu país.

Segundo ele, a Líbia não retira o texto, apesar da possibilidade de que possa ser vetado pelos EUA. EFE jju/rr

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