Plano C para chegar até mineiros chilenos pode começar na quinta

Sonda responsável por plano B para resgatar trabalhadores alcançou 268 metros, enquanto primeira alternativa chegou a 141 metros

iG São Paulo |

A sonda que cavará uma terceira via até os mineiros que ficaram presos a 700 metros de profundidade no norte do Chile está a caminho do local do acidente. Os equipamentos do chamado plano C deram início, nesta quarta-feira, a uma viagem de 1.000 km em 42 caminhões de Iquique até a mina de San José. Paralelamente, equipes e máquinas do plano B  chegaram nesta quarta-feira a 268 metros de profundidade, enquanto a primeira operação alcançou até agora 141 metros.

AFP
Máquina do plano C começa a ser montada na quinta-feira na região do acidente

De acordo com o engenheiro responsável pelos trabalhos de resgate André Sougarret, as peças separadas da máquina do plano C deverão ser montadas até quinta-feira de manhã. Segundo um documento do governo chileno ao qual a AFP teve acesso, a sonda da empresa canadense Precision Drilling tem capacidade para perfurar até 2 mil metros de profundidade a uma velocidade que varia de 20 a 40 metros por dia.

Já a máquina que realiza o plano B de resgate, uma perfuradora T-130 que começou a operar domingo -  alcançou 268 metros em sua primeira etapa de perfuração, de um total de 630 metros previstos. Sougarret também confirmou que a Strata 950, máquina responsável pela primeira alternativa de resgate, chegou a 141 metros de um total de 702 metros.

Popularidade

Depois do acidente que deixou 33 mineiros soterrados, a popularidade do presidente chileno, Sebastián Piñera, cresceu no país. O incidente ocorrido há um mês provocou uma intensa mobilização no Chile desde o dia 23 de agosto, quando se descobriu que os mineiros ainda estavam vivos dentro da mina.

Segundo um levantamento da consultoria Adimark, desde a divulgação da notícia de que os mineiros estavam vivos, a popularidade de Piñera cresceu 11 pontos percentuais, atingindo 56% dos entrevistados na sondagem.

Do dia da posse do presidente, 11 de março, até o mês passado, a popularidade de Piñera havia caído de 52% para 46%. Nesse período, analistas acreditam que a imagem dele sofreu com as críticas à reação do governo ao terremoto do dia 27 de fevereiro. "Este índice de popularidade (56%) é o maior alcançado por este governo, o que se pode atribuir muito aos mineiros", disse à BBC Francisco Jiménez, que coordenou a pesquisa da Adimark.

Entre as pessoas que aprovam o trabalho do presidente, 76% destacaram o seu caráter "ativo e energético" e sua capacidade de se relacionar com a população.

Jiménez afirma que foram bem pensadas algumas ações do governo após o acidente, como Piñera se deslocando até a mina, humanizando os trabalhos de resgate e se aproximando dos familiares dos mineiros, inclusive no dia em que seu sogro havia falecido.

Piñera também acrescentou sua voz à dos mineiros quando eles pediram 33 taças de vinho para celebrar o bicentenário do Chile, no dia 18 de setembro. Mas o presidente deixou a decisão a cargo das autoridades médicas, que não aprovaram o envio de bebidas alcoólicas.

O comentarista político Patricio Navia, do jornal chileno La Tercera, chegou a chamar Piñera de "o 34º mineiro". Analistas políticos afirmam que Piñera aproveitou as operações de resgate para tentar promover o slogan oficial da sua campanha: "Uma nova forma de se governar". Até agora, o governo não havia encontrado oportunidade para colocar o lema em prática.

"O envolvimento direto do presidente e dos ministros no resgate, que foi criticado por alguns porque mostraria um governo assumindo funções de uma empresa privada, foi capitalizado para construir a imagem de uma gestão eficiente, que é o 'leitmotiv' deste governo", disse à BBC o consultor em relações públicas, Eugenio Tironi.

Ministro

Outro beneficiado politicamente pelo incidente foi o ministro da Mineração, Laurence Golborne. Segundo a pesquisa da Adimark, o ministro conta com o apoio de 91% dos entrevistados, um índice pouco comum em pesquisas de opinião.

Nos últimos dias, os chilenos viram Golborne chorar e até pedir desculpas por ter duvidado de que os mineiros seriam achados vivos. "Nunca vimos um caso como este. Sendo antes o ministro menos conhecido (apenas 16% sabiam seu nome), passou a ser identificado por 51% das pessoas e com maior nível de aprovação entre todos", disse Jiménez.

Sem histórico de militância política, Golborne é engenheiro com carreira na iniciativa privada. Antes do acidente, ele foi notícia no Chile por ter viajado à Copa da África do Sul enquanto o país debatia um novo imposto sobre as mineradoras.

Hoje as redes sociais o chamam de "chileno de coração" e já sugerem seu nome para a campanha presidencial de 2014. Ele respondeu ao clamor em sua conta no Twitter: "Obrigado. Porém não sou um herói. Os 33 é que são".

*Com AFP e BBC

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