Plano brasileiro de ajuda ao Haiti inclui socorro médico e enterro de vítimas

RIO DE JANEIRO - O Brasil começou a implementar nesta quinta-feira seu plano de ajuda ao Haiti, que inclui, entre outras atividades, a retirada dos escombros do terremoto de terça-feira, o atendimento a feridos e o enterro das vítimas, informou o Ministério da Defesa.

EFE |

"O plano de emergência enfrentará os cinco problemas mais graves detectados pelas autoridades brasileiras que atuam no Haiti: o enterro dos mortos, o socorro médico aos feridos, a remoção dos escombros, o reforço da segurança nas operações e a distribuição de alimentos e água", disse o governo.

A estratégia foi montada nas reuniões que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, manteve na quarta-feira, em Porto Príncipe, com os militares brasileiros que integram a Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah).

AFP
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Ruínas em Ponto Príncipe


Na capital haitiana, Jobim teve como principal interlocutor o general brasileiro Floriano Peixoto, que comanda os cerca de 7 mil militares de diferentes países que integram as forças de paz da Minustah, dos quais 1.266 são brasileiros.

O ministro disse ter recebido instruções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para viajar ao Haiti, "avaliar a situação (sobre o terreno) e estabelecer uma estratégia de auxílio após as ações de emergência adotadas nos primeiros momentos da tragédia".

Segundo a nota, como Jobim observou que o Brasil é a principal referência da missão da ONU entre os haitianos, cabe ao país "tomar iniciativas próprias, possíveis de serem realizadas com seus próprios meios, e paralelamente buscar reforço dos demais países e organismos internacionais".

A avaliação do Brasil, de acordo com o Ministério da Defesa, é que, "como o terremoto matou integrantes da ONU e de outros setores que atuam no Haiti, pode haver alguma demora na resposta desses organismos".

"Não podemos esperar. Se há problemas, temos de passar por cima deles", disse Jobim.

Os trabalhos de remoção dos escombros previstos no plano brasileiro, já iniciados, estão a cargo dos membros do Batalhão de Engenharia do Exército que já se encontram no Haiti.

O grupo, porém, receberá o reforço de mais 15 engenheiros, de 50 bombeiros do Rio de Janeiro e de equipamentos pesados da construtora brasileira OAS, que participa de obras no país caribenho.

As equipes do Exército trabalham na retirada de escombros para liberar o tráfego, resgatar feridos e recolher cadáveres.

Já para socorrer as vítimas dos prédios que desabaram, os militares brasileiros trabalham em um hospital de emergência montado sob uma garagem, no qual são prestados 70 atendimentos diários.

Mas, diante do cenário desolador no Haiti, o Ministério da Defesa ordenou o envio de um hospital de campanha operado por 40 profissionais e de kits de medicamentos para o atendimento de 10 mil pessoas.

"Há uma grande preocupação com a existência de corpos abandonados nas ruas, o que pode provocar epidemias. O Brasil proporá ao governo haitiano que indique uma área para a instalação de um cemitério, para que os engenheiros brasileiros possam ajudar nos enterros", destaca a nota do ministério.

O plano brasileiro prevê também a construção de uma estrutura de armazenamento e distribuição dos alimentos enviados pelo Brasil e por outros países.

O terremoto no Haiti, de 7 graus na escala Richter, ocorreu às 19h53 (horário Brasília) de terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.
O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.
*Com informações da EFE

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*Com informações da Reuters, EFE e AFP 

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