Plano alemão prevê até 470 bi de euros para salvar sistema

A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou nesta segunda-feira, em Berlim, um pacote com garantias no valor de 470 bilhões de euros para tentar estabilizar o setor financeiro do país. A peça-chave do pacote alemão é a criação de um fundo para estabilização do mercado financeiro bancado pelo governo.

BBC Brasil |

Com o fundo, o governo poderá comprar participação em bancos do país para melhorar sua posição financeira e também poderá garantir empréstimos feitos entre bancos.

O dinheiro do fundo também poderá ser usado para que um banco em melhor posição possa comprar concorrentes com problemas.

Entre as contrapartidas exigidas pelo governo para ajudar os bancos, além de ações, está a possibilidade de interferir na política das instituições e limitar o ganho de executivos.

Dívida pública
O pacote deverá ser financiado com dívidas do Estado. Por isso, segundo Merkel, o governo não poderá cumprir o objetivo de ter um orçamento balanceado e sem novas dívidas até 2011. "Nós temos que ser sinceros neste ponto e admitir que as metas anunciadas não poderão ser cumpridas", disse Merkel.

A primeira-ministra acrescentou que o crescimento da economia alemã deverá ficar "significativamente mais baixo" que a taxa de 1,2% prevista até agora pelo governo.

A bolsa de Frankfurt reagiu positivamente ao anúncio do pacote, que é um dos maiores esforços econômicos já feitos por um governo na história da Alemanha.

Este é o segundo pacote de emergência anunciado pelo governo, que já salvou na semana passada o banco imobiliário Hypo Real State, com um resgate de 50 bilhões de euros.

A Alemanha tem a maior economia do continente e, segundo analistas, a quebra de um banco tão importante poderia ter causado um "efeito dominó", desestruturando todo o mercado de crédito europeu.

O governo também assumiu a garantia das contas correntes e poupanças do país. A própria Merkel assegurou em uma entrevista coletiva que as contas dos alemães serão asseguradas pelo governo.

Segundo o professor Hans-Peter Burghof, especialista em bancos, está é a maior garantia já dada por um governo na história e cobriria uma soma total de cerca de 1 trilhão de euros.

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