Planejamento urbano ruim agrava efeitos de temporal na Madeira

Funchal (Portugal), 23 fev (EFE).- Os técnicos de Segurança e Defesa Civil de Portugal afirmaram que o planejamento urbano da Ilha da Madeira agravou os efeitos do forte temporal que atingiu o arquipélago no sábado.

EFE |

O presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Defesa Civil (Asprocivil), Ricardo Ribeiro, declarou à Agência EFE que o planejamento urbano da Madeira "possibilitou a alteração de cursos de água e causou a impermeabilização dos solos, o que com o tempo contribui para inundações e enchentes".

"Aquilo que ocorreu na Madeira demonstra o que pode provocar um planejamento urbano errôneo", destacou Ribeiro.

Entre os "equívocos" cometidos no planejamento e ordenamento do arquipélago da Madeira, o presidente de Asprocivil destacou a "canalização ruim dos cursos de água" e a "construção de edifícios ou casas em leitos de rios".

Ribeiro também criticou a falta de planos de emergência contra catástrofes "atualizados e aprovados pelas autoridades, não só na Madeira mas por todo Portugal".

"Um dos objetivos é melhorar a qualidade da resposta perante esses imprevistos. Para isso, é necessária a organização dos serviços municipais de Defesa Civil, mas em Portugal ainda não há uma verdadeira cultura de segurança", lamentou.

Os comentários sobre o planejamento urbano da ilha foram frequentes desde que um temporal castigou a Ilha da Madeira no sábado passado e deixou pelo menos 48 mortos, 120 feridos e 250 desabrigados.

A presidente da associação ecologista portuguesa Quercus, Susana Fonseca, afirmou que um bom ordenamento do território na Madeira teria evitado tantas mortes e danos materiais.

"Todos os estudos indicam que esses fenômenos extremos poderiam se tornar ainda mais frequentes", disse a ecologista.

Fonseca considerou que é preciso "um particular cuidado na ordenação dos espaços" para conseguir minimizar o número "de vidas perdidas e de perdas naturais".

No entanto, o presidente da Ordem de Engenheiros de Portugal, Fernando Santo, apontou que pouco poderia ter sido feito na prevenção desta catástrofe quando se conjugam situações tão adversas.

O que ocorreu na Madeira "foi uma acumulação de situações anômalas, imprevisíveis, tais como pluviosidade excessiva durante muito tempo", explicou.

O engenheiro especificou que, nessas circunstâncias, na Ilha da Madeira, que conta com "uma orografia muito acentuada, acaba havendo deslizamentos de terra e incapacidade dos terrenos de absorver as águas, porque já estão completamente encharcadas". EFE atc/sa

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