PKK amplia cessar-fogo até meados de julho

Istambul, 1º jun (EFE).- O grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) anunciou hoje que ampliará seu cessar-fogo unilateral até o dia 15 de julho para favorecer o ambiente de solução do conflito curdo pelo diálogo, informou a agência pró-curda Firat, que cita a cúpula da organização.

EFE |

O PKK - grupo considerado terrorista pela Turquia, União Europeia e Estados Unidos - já tinha declarado em abril uma trégua que terminava hoje, o que não impediu que dezenas de membros das forças de segurança turcas tenham morrido em "ações defensivas" dos rebeldes curdos.

Analistas turcos concordam que houve avanços em relação ao conflito curdo no mês passado, começando por um pedido do presidente da Turquia, o conservador Abdullah Gül, para aproveitar uma "oportunidade histórica" de acabar com décadas de um conflito que deixou mais de 40 mil mortos e milhões de deslocados.

Em recente entrevista publicada pelo jornal turco "Milliyet", o líder do PKK, Murat Karayilan, afirmou que seu objetivo já não é a formação de um país curdo independente, o Curdistão, mas sim o respeito dos direitos culturais e étnicos dos curdos.

Além disso, Karayilan propôs que o sudeste da Turquia, onde se concentra a maioria da população curda, receba um grau de autonomia similar ao da Escócia dentro do Reino Unido.

A ideia foi assumida pelos nacionalistas curdos do Partido da Sociedade Democrática (DTP), com 20 cadeiras no Parlamento turco e que estão envolvidos em um processo por sua suposta ligação com o PKK.

Por outro lado, a oposição nacionalista turca também suavizou suas posições e disse que apoiará uma anistia geral caso o PKK abandonar as armas.

O Governo islamita moderado do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, planeja pôr fim ao isolamento carcerário do fundador e líder histórico do PKK, Abdullah Öcalan, capturado em 1999 e fechado na ilha-prisão de Imrali, como gesto de boa vontade.

Além disso, entrou em funcionamento no dia 1º de janeiro deste ano o primeiro canal de televisão estatal em língua curda.

Estas medidas favoreceram um ambiente mais aberto em relação à questão curda e a publicação de dezenas de artigos nos quais se debate uma possível solução.

No entanto, as operações militares contra as posições do PKK não cessaram. O Exército turco bombardeou alguns dos campos de treinamento do grupo armado curdo no norte do Iraque. EFE amu/bba

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