Paco G. Paz.

Pittsburgh (EUA.), 23 set (EFE). Uma dura reconversão marcou a então cidade do aço de Pittsburgh que em 30 anos conseguiu se reinventar e agora se apresenta como um território fértil da inovação e serve de inspiração aos líderes do Grupo dos Vinte (G20, os países desenvolvidos e as principais nações emergentes).

Situada no leste dos Estados Unidos (EUA), a cidade do estado da Pensilvânia vai receber na quinta-feira e na sexta-feira a cúpula dos chefes de Estado e do Governo dos países do G20, um encontro que receberá máxima atenção mundial em os líderes buscarão, pela terceira vez no ano, afinar o discurso na luta contra a crise mundial.

A escolha do município com cerca de 300.000 habitantes e um dos prefeitos mais jovens dos Estados Unidos, Luke Ravenstahl, de 29 anos, não foi por acaso.

Até mesmo o próprio presidente americano, Barack Obama, visitou a cidade durante a campanha política para mostrar o modelo econômico que gostaria para o país.

Pittsburgh recebe à cúpula porque é um ícone da transformação da matriz econômica, uma espécie de metáfora para inspirar os dirigentes do G20 a apostar no desenvolvimento com respeito ao ambiente, usando a inovação e a tecnologia.

Este foi o caminho de Pittsburgh, que por anos teve sua economia forjada no aço, tendo somente no aço o maior gerador de empregos da região.

A ruína da matriz produtiva, no entanto, fechou indústrias e deixou mais de 120.000 desempregados, elevando a taxa desemprego para 18,2% em 1983.

Na época, o futuro da cidade foi considerado incerto, situação comparável nos dias de hoje ao que pode enfrentar Detroit com a reconversão do setor do automóvel.

Atualmente, o aço retomou o espaço, mas não na fundição dos altos fornos, mas na fabricação de instrumentos cirúrgicos para o Centro Médico da Universidade de Pittsburgh (UPMC), um grupo de saúde que fatura US$ 8 bilhões ao ano e se transformou no maior empregador da região, com 50.000 trabalhadores.

Mas a economia da cidade não está restrita ao setor, como no passado ocorreu com a metalurgia, e sim diversificada por meio de uma estratégia executada de maneira organizada durante três décadas.

Um dos pilares de sua economia são as energias renováveis, um campo no qual o Governo de Obama deseja criar milhões de postos de trabalho em todo o país, por meio de um plano de estímulo, que reserva ao setor US$ 60 bilhões.

Outro setor pujante é o da educação, com mais de 30 universidades, entre estes centros renomados como a Universidade de Pittsburgh ou o Carnegie Mellon.

Somam-se ainda o segmento de serviços relacionados com a saúde, que nos últimos 20 anos triplicaram de tamanho e empregam mais de 100.000 pessoas.

Só na cidade de Pittsburgh estão localizados cerca de cem centros de pesquisa, entre estes a filial americana da farmacêutica Bayer.

Mas a principal mudança sentida foi estrutural. Nas margens de três rios onde por décadas estiveram indústrias poluidoras, hoje existem parques, áreas verdes, calçadas com cafés, pequenos restaurantes e centenas de pontes. Pittsburgh tem 446 pontes, quantidade superior a Veneza.

Apesar do ambiente tranquilo de pequena cidade, Pittsburgh está mobilizada nas últimas semanas para demonstrar que é capaz de acolher um evento destas características, como faria qualquer grande capital no mundo.

Quando o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, anunciou meses atrás que a cúpula do G20 seria realizada na cidade, e não em Nova York ou em outra grande metrópole, a surpresa chegou a arrancar risos entre os jornalistas.

A força de Pittsburgh não reside na sua capacidade hoteleira, mas no fato de ser um modelo que alguns líderes querem para suas economias.

Como disse Obama há algumas semanas, Pittsburgh "transformou a si mesma, ao passar de cidade do aço a um centro inovador de alta tecnologia. Por isso, fornecerá aos líderes não só um belo cenário à cúpula, mas um poderoso exemplo a seguir". EFE pgp/dm

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