Piratas somalis sequestram mais dois navios e atiram em outro

Por Alison Bevege A BORDO DO NRP CORTE-REAL (Reuters) - Piratas somalis sequestraram nesta terça-feira mais dois navios de carga e abriram fogo contra um terceiro, em ações que mostraram sua determinação em continuar atacando embarcações nas estratégicas rotas marítimas da região.

Reuters |

As capturas do navio grego MV Irene E.M. e do MV Sea Horse, de bandeira togolesa, foram um claro sinal de que os grupos não se intimidaram com dois ataques nos últimos dias, nos quais forças especiais norte-americanas e francesas mataram cinco piratas.

O tenente-comandante da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) Alexandre Fernandes afirmou que o navio de guerra português NRP Corte-Real recebeu, antes do amanhecer, uma chamada de socorro do Irene E.M., que tem bandeira de São Vicente e Granadinas, enquanto o navio estava no golfo de Áden.

"Houve apenas três minutos entre o alarme e o sequestro", disse Fernandes à Reuters a bordo do NRP Corte-Real. "Eles atacaram à noite, o que foi muito incomum. Eles estavam usando a luz da lua, enquanto ela ainda estava forte."

O Ministério da Marina Comercial grego afirmou que os 22 tripulantes do Irene E.M. são filipinos. O Programa de Assistência a Marinheiros do Leste Africano, que investiga a atividade de piratas, afirmou que todos os membros do navio estavam desarmados.

O cargueiro navegava da Jordânia para a Índia. Seus proprietários, locados em Piraeus, não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

Horas depois, autoridades da Otan no NRP Corte-Real afirmaram que um segundo navio, o MV Sea Horse, que tem capacidade próxima a 5.000 toneladas, também tinha sido seqüestrado a cerca de 143 quilômetros da costa somali.

Elas disseram que a embarcação foi tomada por piratas a bordo de três ou quarto barcos, mas não forneceram mais detalhes.

Separadamente, disseram autoridades da Otan, outra gangue disparou fuzis automáticos e granadas lançadas por foguetes contra o Safmarine Asia, de bandeira da Libéria. Elas afirmaram que o navio conseguiu escapar e não houve relatos de mortes.

FORÇAS ESPECIAIS

Até não haver estabilidade política em terra, os ataques de piratas vão continuar nos mares, dizem especialistas.

"A atividade de piratas é muito mais complexa do que qualquer patrulha naval", afirmou o analista norte-americano J. Peter Pham, da Universidade de Madison. "Será necessário mais do que apenas a aplicação da força para exterminar a ação de piratas no solo da Somália."

Autoridades da Otan afirmaram que um navio de guerra canadense mandou um helicóptero vigiar o que estava acontecendo a bordo do Irene E.M.

"Há reféns, então agora vamos acompanhar e monitorar a situação," afirmou Fernandes.

Marinhas estrangeiras estão patrulhando os mares da Somália. Mas os piratas têm conseguido fugir da captura, aumentando os custos com seguros das cargas e desafiando as maiores potências militares do mundo.

Franco atiradores em um destróier dos EUA liberaram um capitão norte-americano no domingo após matar três piratas somalis. Eles mantinham o refém em um bote salva-vidas, em um impasse que durou cinco dias. Outros dois piratas morreram na sexta-feira, quando militares franceses atacaram um iate que havia sido seqüestrado. Um refém francês foi morto.

Há temores de que os ataques de Washington e Paris, para libertar reféns, possam causar uma carnificina no futuro. Os piratas prometeram vingança contra cidadãos norte-americanos e franceses.

Até agora, os piratas têm tratado bem os reféns, na esperança de conseguir grandes resgates. Muitos jovens somalis, pobres e desempregados, vêem as gangues como uma alternativa para as suas vidas.

A maioria dos grupos tem suas sedes em pequenas cidades na costa somali, como Eyl, Hobyo e Haradheere.

No ano passado, os piratas viraram notícia ao realizar o maior sequestro marítimo da história, um petroleiro saudita carregando mais de 100 milhões de dólares em petróleo. Mas, longe dos holofotes mundiais, eles vêm atacando há anos.

(Reportagem adicional de Jack Kimball, em Nairóbi, e Renee Maltezou, em Atenas)

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