Piratas somalis prometem vingar companheiros mortos

Por Abdiqani Hassan BOSASSO, Somália (Reuters) - Piratas somalis ameaçaram vingança no domingo pelas mortes de cinco companheiros em duas ações militares estrangeiras, o que gera a perspectiva de um futuro mais violento naquele trecho do oceano Índico.

Reuters |

Franco-atiradores da Marinha norte-americana mataram no domingo três piratas que faziam um capitão de navio como refém dentro de um bote salva-vidas. Na semana passada, militares franceses já haviam usado a força e matado dois piratas para recuperar o controle de um iate.

"Os franceses e os norte-americanos vão se arrepender de começar essas mortes. Nós não matamos, mas só pegamos resgates. Faremos alguma coisa contra qualquer um que considerarmos francês ou norte-americano a partir de agora", disse um pirata identificado com Hussein à Reuters, falando por um telefone por satélite.

"Não sabemos como e se os nossos amigos no bote salva-vidas morreram, mas isso não irá nos impedir de seqüestrar", disse ele.

Falando da localidade de Eyl, reduto de piratas na costa leste da Somália, outro pirata, chamado Aden, também prometeu vingança.

A pirataria há anos assola a costa somali, obrigando as embarcações a mudarem de rota ou a pagarem seguros mais elevados. Em geral, porém, os piratas tratam suas vítimas com relativa cortesia, chegando a lhes preparar churrascos de carneiro e a emprestar telefones celulares.

"Os piratas saberão de agora em diante que qualquer coisa pode acontecer. Os franceses estão fazendo isso (resgates militares), os norte- americanos estão fazendo. As coisas ficarão mais violentas de agora em diante", disse Andrew Mwangura, do Programa de Assistência aos Navegadores do Leste da África, com sede no Quênia.

Na opinião dele, a tensão gerada pelos confrontos pode fazer com que os piratas modernos se comportem com a mesma violência atribuída aos seus congêneres de antigamente.

Atualmente, os piratas mantêm mais de 12 barcos sob seu controle, com cerca de 260 reféns, sendo cerca de 100 deles filipinos.

Depois de uma fase de calmaria no ano passado, a pirataria recrudesceu, e cidades costeiras como Eyl e Haradheere exibem essa bonança, já que os bandidos gastam em esposas, carros e artigos de luxo os milhões de dólares que recebem como resgates.

A anarquia na Somália -- são 18 anos de guerra civil -- significa que os piratas têm fácil acesso a armas e pouca repressão das autoridades. "Matar três entre milhares de piratas só irá agravar a pirataria", disse o xeque Abdullahi Sheikh Abu Yusuf, porta-voz do grupo islâmico moderado Ahlu Sunna Waljamaca.

(Reportagem adicional de Andrew Cawthorne, em Nairóbi, e Abdi Sheikh e Abdi Guled, em Mogadíscio)

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