Piratas somalis juram vingança contra cidadãos americanos e franceses

Mogadíscio, 13 abr (EFE).- Os piratas somalis ameaçaram hoje matar qualquer cidadão americano ou francês que encontrarem nos navios que transitam pela área marítima em que atuam, após as operações militares de resgate realizadas pelas respectivas Marinhas desses dois países nos últimos dias.

EFE |

No entanto, o Governo Federal Transitório somali elogiou e chamou de "heroica" a operação da Marinha dos Estados Unidos para resgatar o capitão americano Richard Phillips, que foi libertado ileso após passar cinco dias como refém em um bote salva-vidas sob a custódia de quatro piratas, dos quais três foram mortos.

A Presidência da região autônoma somali de Puntlândia, onde os piratas do país costumam se refugiar, pediu ontem "ações militares" das forças internacionais que vigiam a região para acabar com esse tipo de crime.

Abdi Kolis, líder de um grupo de piratas que tem vários navios-tanque, disse à Agência Efe que "agora choram as famílias" de seus companheiros, "mas chegará o momento em que chorarão famílias americanas e francesas".

Kolis assegurou que os militares americanos "enganaram" os quatro piratas que retinham Phillips, capitão do navio de bandeira americana "Maersk Alabama" e que foi tomado como refém para que os 20 tripulantes do cargueiro pudessem fugir.

O líder pirata também lembrou que, "na sexta-feira passada, as forças da França realizaram um terceiro ataque" para libertar reféns, no qual morreram um dos cinco tripulantes de um veleiro de bandeira francesa e dois dos cinco piratas somalis que os sequestraram.

"Estas ações acabaram com nossa paciência e nos vingaremos em qualquer cidadão desses países (EUA e França) que encontrarmos", destacou Kolis, que falava a partir de um lugar não identificado e acrescentou que os fatos recentes farão aumentar seus "cuidados, mas não deterão" a pirataria.

Uma das primeiras "precauções" tomadas pelos piratas, segundo disseram à Efe fontes de Puntlândia, foi abandonar os locais usualmente frequentados por eles no litoral norte da Somália, local usado como base para suas operações.

Diversas fontes nos portos de Eyl, Hobyo, Elhur, Hindawao e Haradhere confirmaram hoje que líderes piratas deixaram estes locais por temerem ataques marítimos e aéreos de EUA e França.

Muitos desses piratas, além de grandes mansões, têm pequenas, mas luxuosas casas no litoral. Agora, todas elas parecem estar abandonadas.

"Os refúgios das piratas estão abandonados, as crianças brincam em suas casas e estão destroçando suas instalações", disse à Efe hoje um morador da cidade de Haradhere, que pediu para não ser identificado.

Os habitantes dessas cidades portuárias também confirmaram que os piratas deslocaram os navios que mantêm sob seu poder, a maioria nos litorais de Hafun e Garacad, em Puntlândia, para dificultar eventuais ataques.

Enquanto isso, em Mogadíscio, Abdulkader Mohammed Osman, um porta-voz do presidente do país, Sharif Sheikh Ahmed, disse à Efe que o governante "elogiou a ação americana contra os sequestradores do capitão Phillips".

"O presidente se emocionou quando ouviu que Phillips estava bem e que os bandidos tinham morrido", disse Osman, lembrando que a postura da Somália sobre a pirataria "é clara: Deve haver ações duras enquanto houver ataques duros".

Em entrevista coletiva concedida ontem antes da divulgação da libertação de Philips, o presidente da região de Puntlândia, Abdirahman Mohammed Farole, disse que "as ações militares reduzirão a pirataria" e pediu "aos Governos de cujos países há navios sequestrados a tomar esse tipo de medidas em vez de pagar resgates".

O vice-almirante William Gortney, chefe do Comando Central Naval dos EUA, reconheceu ontem no Barein que a operação para libertar o capitão Phillips "poderia agravar a violência nesta parte do mundo, sem dúvida alguma".

Os piratas somalis mantêm em seu poder 17 navios de diversas nacionalidades com cerca de 300 tripulantes sequestrados, dos quais quase 100 são filipinos, segundo organizações de assistência e vigilância de navegação. EFE ma/bba

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