Piratas somalis geram apreensão às maiores marinhas do mundo em 2009

Chema Ortiz. Johanesburgo, 14 dez (EFE)- Os piratas somalis provaram de novo em 2009 sua capacidade de abordar navios cada vez mais longe de seu litoral e mantiveram em alerta o tráfego marítimo e a pesca no oceano Índico, apesar da vigilância das maiores marinhas do mundo. Com pequenos esquifes, armas leves e utilizando barcos pesqueiros, os piratas capturaram neste ano na região próxima à Somália mais de 40 navios, dos quais pelo menos 15, com cerca de 300 tripulantes, ainda estão em seu poder e pelos quais reivindicam grandes quantias de resgate. As centenas de milhões de dólares obtidas nos resgates nos últimos cinco anos serviram não só para enriquecer os piratas da Somália, mas também para obter tecnologia de navegação e comunicação para agir cada vez mais distante. Nos nove primeiros meses de 2009, mais da metade dos ataques deste tipo que ocorreram no mundo (168 dos 306) foi realizada por piratas somalis, o que prova que seus meios e sua preparação são cada vez mais sólidos. No início de novembro, os piratas atacaram um petroleiro de Hong Kong, o BW Lion, a 1,8 mil quilômetros da costa, entre as ilhas Seychelles e Maldivas, no ato de pirataria ocorrido mais distante de seus refúgios. Além disso, estenderam sua atuação para fora da Somália e, segundo os analistas, contam com colaboradores que fornecem equipamentos e informações sobre os navios que passam pela região, além de lavar o dinheiro que obtêm em outros países do mundo. Esta circ...

EFE |

Em 18 de novembro, um capitão de uma embarcação das Ilhas Virgens foi morto por se negar a obedecer às ordens dos piratas.

Com isso, a comunidade internacional tem enviado cada vez mais navios de guerra à região, iniciativa que tem se mostrado ineficaz para acabar com a ameaça.

Para analistas, agências da ONU e Governo somali, o problema deveria ser combatido oferecendo alternativas aos pescadores, para evitar que se dediquem à pirataria.

Em uma conferência no Instituto de Relações Internacionais de Londres em outubro, Ali Omar Abdirashid Sharmarke, primeiro-ministro da Somália, prometeu acabar com a pirataria, mas justifica sua existência pela necessidade de sobrevivência dos pescadores do norte de seu país, empobrecido por 18 anos de guerra.

Sharmarke acredita que a pirataria acabará se for oferecido aos piratas e às comunidades que os apóiam "oportunidades de negócios sustentáveis", protegendo as águas somalis da exploração estrangeira e da pesca ilegal.

O político indicou que o custo da manutenção de uma frota internacional na região durante três anos é "provavelmente dez vezes" o valor necessário para aplicar o plano de paz e estabilidade de seu Governo, que melhoraria a situação política, econômica e social e acabaria com a pirataria e o terrorismo islâmico. EFE cho/dm/mh

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