Piratas seqüestram navio do Iêmen apesar da advertência dos islamitas

Nairóbi, 25 nov (EFE).- Um grupo de piratas estabelecidos na Somália seqüestraram um navio do Iêmen, apesar das advertências feitas por milícias islâmicas de que é delito capturar navios de países muçulmanos, confirmou hoje à Agência Efe Andrew Mwangura, diretor do Programa de Assistência aos Marinheiros (PAM).

EFE |

As milícias islâmicas somalis, incluindo o grupo Al-Shabaab, que controla grande parte do país e que - segundo os EUA - tem relação com a Al Qaeda, advertiram os piratas se que "é pecado, é um delito seqüestrar um navio muçulmano", embora não se oponham à captura de navios de países não islâmicos.

Uma destas milícias, a de Sheikh Sharif, que faz parte da Aliança para a Nova Libertação da Somália, foi ao porto de Haradhere, refúgio de piratas na região somali de Puntlândia, para tentar a liberação do petroleiro saudita "Sirius Star", seqüestrado em 15 de novembro.

"Não nos importa que ataquem navios ocidentais ou os que pescam ilegalmente em nossas águas, mas este é de uma nação islâmica", disse à Agência Efe Abdulrahim Isse Addou, porta-voz destes combatentes islâmicos.

Os grupos islâmicos ameaçaram atacar os piratas, mas estes responderam ao desafio.

Abdi Benlow, porta-voz do grupo que retém o "Sirius Star", disse à Agência Efe que "temos capacidade para resistir aos fundamentalistas ou à frota ocidental" que tenta proteger os navios que transitam pela zona.

As advertências não evitaram que os piratas tenham capturado outro navio de bandeira de país muçulmano.

A Autoridade Marítima iemenita informou hoje à Efe, em Sana, que piratas capturaram um navio que tinha partido do porto de Mukala e navegava para a ilha de Socotra com uma carga de 570 toneladas de material de construção.

O dono da construtora que alugou o cargueiro, um iemenita de origem somali, iniciou contatos com chefes de tribos desse país para negociar com os piratas, que pedem US$ 2 milhões de resgate, segundo a empresa.

Este é o quinto navio seqüestrado por piratas somalis nos últimos dez dias, que foram de especial atividade e evidenciaram a capacidade dos criminosos para abordar navios cada vez maiores e em um maior raio de alcance.

Exemplo disso foi o seqüestro do "Sirius Star" - que armazena uma quantidade de petróleo avaliada em US$ 116 milhões - e pelo qual os piratas exigiram, a princípio, um resgate de US$ 25 milhões, que reduziram ontem para US$ 15 milhões. EFE pa/an

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