WASHINGTON (Reuters) - Piratas atacaram na terça-feira com foguetes e metralhadoras um cargueiro de bandeira norte- americana na costa da Somália, mas não conseguiram entrar na embarcação, segundo relato do proprietário e dos militares dos EUA. A tripulação do Liberty Sun ficou ilesa, mas o navio sofreu danos, de acordo com nota divulgada pela empresa Liberty Maritime Corp, com sede na localidade de Lake Success, Nova York.

O navio imediatamente solicitou ajuda da Marinha dos EUA, que enviou forças, segundo a nota.

"Ficamos gratos e contentes de que ninguém tenha se ferido, e que a tripulação e o navio estejam a salvo", disse o texto.

Foi o segundo ataque em uma semana contra uma embarcação com bandeira dos EUA na região. No domingo, atiradores militares dos EUA mataram três piratas e libertaram o capitão do navio Maersk Alabama, que havia passado cinco dias como refém em um bote salva- vidas.

Piratas haviam ameaçado retaliações contra qualquer embarcação norte-americana que avistassem.

A Liberty Maritime disse que os piratas dispararam granadas de propulsão e rajadas de metralhadora contra o navio, que transportava ajuda alimentar norte-americana de Houston (Texas) para Mombaça (Quênia), de onde a carga seria enviada para outros países.

Uma fonte militar dos EUA disse que o Liberty Sun foi atacado por volta de 12h30 (hora de Brasília) de terça-feira. "O USS Bainbridge foi orientado a dar meia-volta e assistir (o Liberty Sun), e foi em socorro", disse a fonte, que pediu anonimato.

Mas, quando o navio militar chegou ao local, três horas depois, os piratas já haviam ido embora. O Bainbridge foi o mesmo navio que participou do resgate do capitão Richard Phillips no domingo.

Fortemente armados, os piratas da Somália estão cada vez mais ativos nas águas do oceano Índico e do golfo de Aden, uma rota estratégica na ligação entre Europa e Ásia (via canal de Suez). Nos últimos anos, eles atacaram dezenas de navios, fizeram centenas de reféns e obtiveram milhões de dólares em resgates.

Na própria terça-feira, piratas somalis já haviam atacado outros dois cargueiros e abriram fogo contra um terceiro, ignorando a forte presença militar internacional na região.

(Reportagem de Doina Chiacu e Joanne Allen)

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