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Pior terremoto na China em três décadas deixa pelo menos 8.500 mortos

Antonio Broto Pequim, 12 mai (EFE).- Pelo menos 8.

EFE |

553 pessoas morreram e mais de 10 mil ficaram feridas no terremoto de 7,8 graus na escala Richter que atingiu hoje o sudoeste da China, o pior em três décadas no país.

Além dos 8.500 mortos, mais de 10 mil pessoas tiveram ferimentos graves, segundo os números provisórios do escritório governamental para a coordenação dos trabalhos de resgate que foi constituído na província de Sichuan, a mais atingida.

O tremor de terra teve seu epicentro a 31 graus de latitude norte e 103 graus de longitude leste, perto de Wenchuan (noroeste da província de Sichuan), região turística, já que ali ficam três lugares da lista de Patrimônio Mundial da Unesco, entre elas duas reservas naturais.

O forte terremoto foi sentido em boa parte do Extremo Oriente, inclusive em localidades a quase 3 mil quilômetros de Wenchuan, como Hanói (Vietnã), Bangcoc (Tailândia) e nas metrópoles chinesas de Pequim e Xangai, onde centenas de pessoas saíram de suas casas alarmadas pelo tremor.

Nas três horas após o terremoto, os centros sismológicos da China detectaram mais de 300 réplicas, algumas até 6 graus na escala Richter.

"Estava em um restaurante e as lâmpadas do local começaram a balançar muito, parecia que iam cair", contou Mercedes Rubio, espanhola que mora na cidade de Chongqing, uma das localidades nas quais o terremoto foi notado com mais intensidade.

"Todo mundo está na rua. É algo impressionante", acrescentou Rubio.

As imagens da emissora estatal chinesa "CCTV" mostravam milhares de pessoas nas ruas de cidades como Chengdu, esperando que o perigo passe.

"Sentimos um movimento forte, nunca tínhamos vivido algo assim em Chengdu. Faltou luz", afirmou por telefone uma porta-voz da cidade, onde, segundo testemunhas, alguns edifícios apresentam rachaduras.

Os números de vítimas vão aumentando aos poucos, mas as localidades a um raio de menos de 100 quilômetros do epicentro já afirmaram que a devastação é imensa e os mortos nestes lugares são contados aos milhares.

Só em Beichuan, a cerca de 50 quilômetros a nordeste de Wenchuan, estima-se que haja entre 3 mil e 5 mil mortos.

Em Dujiangyan, cidade turística onde está o sistema de irrigação mais antigo do mundo, o tremor provocou o desabamento de um instituto local, onde estavam 900 estudantes.

O serviço de resgate da cidade já retirou 50 corpos dos escombros.

Enquanto isto, chegam novos números de mortos em províncias que, em alguns casos, estão a centenas de quilômetros do epicentro: 57 em Shaanxi (centro-norte), 26 em Gansu (noroeste) e 50 em Chongqing, entre elas quatro crianças retiradas dos escombros de uma escola.

O terremoto, que atinge um país que entrava em uma atmosfera festiva às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, produziu o corte de energia elétrica e das comunicações por celular em muitas das regiões afetadas, além dos serviços de internet.

Aeroportos de cidades como Chengdu ficaram fechados temporariamente, e muitos vôos procedentes e com destino ao oeste e centro da China foram suspensos.

As províncias atingidas pelo terremoto somam uma extensão de mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, onde vivem mais de 200 milhões de pessoas.

Próximo ao epicentro, fica uma das principais reservas de ursos panda da China, em Wolong (que está incomunicável), e mais ao leste, a usina de Três Gargantas, ainda em obras, que não sofreu danos, segundo especialistas.

Wenchuan, na região do epicentro, é habitada por 111.880 pessoas, muitas delas tibetanas, e foi onde aconteceram protestos contra o Governo chinês, na Prefeitura de Aba, em março.

Na mesma região, no norte de Sichuan, um terremoto de menor intensidade (7,5 graus) em 1933 deixou 9 mil mortos.

Testemunhas nas regiões afetadas de Sichuan e Yunnan afirmaram terem visto "cidades inteiras" reduzidas a escombros, enquanto vários feridos e afetados são atendidos no meio da rua por equipes médicas.

O país inteiro se mobilizou com a catástrofe: o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, viajou em caráter de urgência à região do epicentro, de onde pediu aos chineses para terem "calma, confiança, coragem e organização eficiente" para superar o desastre e pediu às equipes de resgate para "superarem o medo e o cansaço".

Cerca de 8 mil soldados do Exército de Libertação Popular chinês foram enviados para colaborar com os trabalhos de resgate nas regiões atingidas, aonde já chegaram as primeiras ajudas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nacional em forma de cobertores e tendas de campanha.

O oeste do país, região de atrito das placas tectônicas Indiana e Asiática, registra freqüentemente sismos de maior ou menor intensidade, mas em várias ocasiões acontecem em locais pouco povoados ou inabitados.

O pior terremoto sofrido pela China nas últimas décadas aconteceu em 1976 na cidade de Tangshan, a 200 quilômetros a sudeste de Pequim, também de 7,8 graus na escala Richter, que matou entre 240 mil e 280 mil pessoas. EFE abc/wr/fal

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