Pior seca de 50 anos abate produção agropecuária da Argentina

San Miguel do Monte (Argentina), 30 jan (EFE).- A Argentina, em outros tempos considerada um celeiro universal de produtos como trigo e carne bovina, vê hoje sua produção agropecuária ameaçada pela seca mais grave dos últimos 50 anos, cujo prejuízo deve chegar a bilhões de dólares, podendo causar um novo conflito entre produtores e Governo.

EFE |

Segundo as entidades de produtores agrícolas, 600 mil cabeças de gado já morreram e de 15% a 20% dos cultivos de grãos foram perdidos, uma quantidade que pode subir para 30%.

Para não enfrentar novos protestos, a presidente Cristina Fernández de Kirchner decretou nesta semana estado de emergência e anunciou um pacote de medidas para aliviar o impacto da crise no campo, com a concessão de créditos para maquinaria agrícola e limitação dos preços dos adubos.

Entretanto, ela não se dispôs a baixar os impostos, como reivindicam os produtores.

No campo, "as vacas consomem entre 60 e 70 litros de água por dia, que não temos de onde tirar", conta Miguel Angel Ricotta, da Federação Agrária de San Miguel do Monte -100 quilômetros ao sul de Buenos Aires- à Agência Efe.

O agricultor lembra que a média de precipitações anuais na região caiu quase pela metade, de 1.200 para 630 milímetros cúbicos.

"Chegamos a fazer até 18 saídas em um dia", ressalta o bombeiro Juan Carlos Insúa, que enfrenta "o verão mais trabalhoso" de seus 20 anos de serviço.

"Os campos secos pegam fogo com muita facilidade e basta um cigarro mal apagado para começar um incêndio". EFE mar/jp

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