Pior recessão na Europa desde 1945 será mais forte e longa que o previsto

A Comissão Europeia revisou para baixo drasticamente nesta segunda-feira as previsões econômicas para a Europa, que atravessa sua pior recessão desde 1945 e se prepara para uma escalada do desemprego, de até 11,5% de sua população economicamente ativa em 2010, nos 16 países da Zona do Euro.

AFP |

A Zona do Euro sofrerá uma contração de 4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, segundo as previsões de Bruxelas, confirmando que a recessão será mais acentuada do que nos Estados Unidos, onde se originou a recessão.

Também será mais longa do que o previsto, com uma nova contração do crescimento em 2010, embora menos drástica, de 0,1%.

Nas previsões anteriores, divulgadas em janeiro, a Comissão projetava uma queda do PIB de 1,9% em 2009 e um leve crescimento em 2010, de 0,4%.

"A economia europeia se encontra certamente em sua crise mais profunda e extensa desde o pós-guerra", ressaltou o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Joaquín Almunia.

Apesar disso, as estatísticas mostram que "há sinais de estabilização na Zona do Euro" e que a economia "já não está em queda livre", ressaltou Almunia.

"As ambiciosas medidas adotadas pelos governos e pelos bancos centrais" deverão "permitir uma recuperação no próximo ano", isso se os Estados da UE "conseguirem 'limpar' rapidamente os ativos tóxicos" financeiros e "recapitalizarem os bancos, se for necessário", acrescentou o comissário.

Em toda a União Europeia (UE), Bruxelas também prevê uma recessão de 4% em 2009 e de 0,1% em 2010, frente a uma contração de 1,8% e um crescimento de 0,5%, respectivamente, previstos em janeiro.

Os novos dados são menos pessimistas, no entanto, que os publicados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE).

O FMI projeta uma queda do crescimento de 4,2% em 2009 e de 0,4% em 2010, enquanto a OCDE prevê contrações de 4,3% e 0,1% respectivamente.

A recessão se traduzirá ainda na perda de 8,5 milhões de postos de trabalho em 2009-2010 no conjunto da União Europeia (UE, 27 países), onde a taxa de desemprego chegará a 10,9% no próximo ano.

Na Eurozona, Bruxelas prevê um índice de 11,5% em 2010, nível sem precedentes desde o fim da II Guerra Mundial.

Os déficits públicos prosseguirão em alta, a 5,3% em 2009 e 6,5% em 2010 na Eurozona, segundo a Comissão.

A economia da Eurozona é arrastada pela dureza da recessão na Alemanha, maior potência europeia, cujas exportações desabaram com a chegada da crise. Bruxelas prevê uma queda do PIB alemão de 5,4% em 2009.

A contração do crescimento será de 4,4% na Itália e de 3% na França, segundo as previsões do Executivo.

A Espanha se situará abaixo da média de contração europeia em 2009, de 3,2%, mas esta será maior em 2010, de 1,0%.

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