Pior atentado do ano em Cabul deixa 41 mortos em embaixada indiana

Cabul - Pelo menos 41 pessoas, a maioria civis, morreram hoje em um atentado com carro-bomba contra a embaixada da Índia no centro de Cabul, no incidente mais sangrento registrado este ano na capital afegã.

EFE |

Cinco das vítimas trabalhavam na embaixada, mas a maioria era de civis afegãos, incluindo crianças e mulheres, que faziam fila na porta para conseguir um visto, segundo várias fontes oficiais.

Um porta-voz do Ministério do Interior afegão consultado pela Agência Efe disse que o ataque causou a morte de 41 pessoas, entre elas seis policiais afegãos, além de cerca de 100 feridos.

O atentado ocorreu por volta das 8h30 na hora local (1h, Brasília), quando a embaixada abria suas portas ao público e a área estava cheia de pessoas que iam para o trabalho.

O suicida, a bordo de um veículo, acionou os explosivos na porta principal da embaixada, situada em frente ao Ministério do Interior afegão, disse à Efe o porta-voz da Defesa do país, general Zahir Azimi.

Reuters
Atentado é o pior no país desde setembro de 2007

Segundo uma versão divulgada pela imprensa em Nova Délhi, o veículo do adido militar estava chegando ao local no momento do ataque, mas uma fonte do ministério de Assuntos Exteriores consultada pela Efe disse não poder confirmar os detalhes do atentado.

O chanceler indiano, Pranab Mukherjee, anunciou em coletiva de imprensa em Nova Délhi transmitida ao vivo pelo canal de televisão "NDTV" que o atentado matou cinco membros da sede diplomática.

Os mortos são o adido militar, R. D. Mehta, e o conselheiro de assuntos políticos, Venkat Rao, além de dois membros da equipe indiana de segurança e um funcionário afegão da embaixada.

O corpo do conselheiro de assuntos políticos foi jogado até o telhado da embaixada devido à intensidade da explosão, que destruiu as portas e danificou vários imóveis tanto da sede diplomática quanto das proximidades, e foi ouvida em toda Cabul.

"Uma grande parte de nosso edifício ficou devastada", descreveu um membro da legação à agência "Ians".

Segundo a agência indiana "PTI", sete afegãos da equipe de vigilância da embaixada morreram, e outros três funcionários da representação diplomática ficaram feridos.

O porta-voz do Ministério de Saúde afegão, Abdullah Fahim, afirmou que 90 dos feridos foram internados em vários hospitais de Cabul, enquanto outros 51 receberam alta logo após serem atendidos.

Centenas de soldados de segurança e equipes de resgate chegaram imediatamente à embaixada, cujo pessoal foi evacuado, entre eles o embaixador, Jayant Prasad, que escapou ileso.

Embora Yousef Ahmadi, um dos principais porta-vozes dos talibãs, tenha assumido à Efe a autoria do ato terrorista, o outro, Zabiullah Mujahid, negou.

O Ministério afegão do Interior disse que o ataque tinha sido cometido por "terroristas em cooperação com serviços de inteligência da região", em aparente referência ao Paquistão.

Ato abominável

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que este "abominável ato de terrorismo é obra de países que não desejam boas relações entre Afeganistão e Índia", Estados que mantém relação de inimizade com o vizinho Paquistão.

Após o ataque, o chanceler afegão, Rangin Dafdar Spanta, compareceu à embaixada indiana para expressar suas condolências e reiterou a determinação do Afeganistão de manter suas boas relações com a Índia.

Já o Paquistão se recusou a comentar as veladas acusações a seus serviços secretos e emitiu um comunicado condenando o atentado.

O porta-voz de Exteriores paquistanês, Mohammad Sadiq, disse à Efe que "o Governo do Paquistão não pensa em comentar este tipo de insinuações".

"Manifestamos nossa repulsa e não temos nada a dizer a respeito das declarações provenientes do Governo afegão", acrescentou.

O ministro de Assuntos Exteriores indiano condenou o "covarde" ataque à delegação de seu país e anunciou o envio imediato de uma equipe a Cabul para "analisar a situação de emergência" de sua representação diplomática.

Em comunicado, o porta-voz da Chancelaria indiana, Navtej Sarna, taxou de deplorável o ato terrorista, mas sustentou que a Índia não mudará de idéia em relação ao "cumprimento de seus compromissos com o Governo e o povo do Afeganistão".

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