Pior acidente aéreo na Espanha desde 1985 deixa mais de 100 mortos

Madri, 20 ago (EFE).- Mais de 100 pessoas morreram e 25 ficaram feridas hoje no aeroporto de Barajas, em Madri, devido ao incidente com um avião da companhia aérea Spanair segundos após decolar, no pior acidente aéreo ocorrido na Espanha desde 1985.

EFE |

O acidente ocorreu quando o avião da Spanair, em code-share (compartilhamento de vôo) com a alemã Lufthansa e com destino a Las Palmas de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias, bateu contra o chão junto a uma das pistas, depois se partiu e pegou fogo.

Membros das equipes médicas e de resgate citados por diversas fontes afirmaram que, entre os destroços da aeronave, que ficou praticamente destruída, havia vários corpos carbonizados.

Estavam a bordo 164 passageiros e 9 tripulantes, sobre os quais não foram informadas, por enquanto, as identidades e nacionalidades.

As caixas-pretas do avião foram recuperadas e serão o principal elemento de investigação do acidente, e, por enquanto, ainda não há dados concretos sobre as causas da tragédia.

Um juiz de Madri assumiu imediatamente a investigação do acidente e ordenou um relatório sobre o conteúdo das caixas-pretas, que registram a atividade dos instrumentos e as conversas na cabine e com os controladores aéreos.

Fontes jurídicas informaram à Agência Efe que o juiz foi ao aeroporto, à frente de uma comissão judicial, para realizar a contagem dos cadáveres.

Os corpos dos cerca de 100 mortos foram levados a um local próximo ao aeroporto, onde a Polícia científica e os legistas fizeram os primeiros trabalhos de identificação.

Para isso, foi montada uma equipe de cerca de 20 legistas e uma sala refrigerada para a conservação dos corpos, no mesmo lugar onde foi instalado a necrotério para as 191 vítimas fatais dos atentados terroristas de 11 de março de 2004 em Madri.

O avião acidentado, uma aeronave modelo MD-82, saiu com uma hora de atraso do aeroporto de Barajas, segundo fontes aeroportuárias, que não precisaram as causas da demora.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e vários ministros interromperam suas férias e viajaram a Madri para acompanhar de perto os detalhes em torno do acidente.

As autoridades do aeroporto de Barajas, um dos mais importantes da Europa por ser ponto de conexão entre a Europa e a América Latina, declararam situação de emergência, que é o grau máximo de alerta, e reuniu um gabinete de crise.

No local, foram vistas cenas de dor entre os parentes e amigos dos passageiros que viajavam no avião acidentado.

A Cruz Vermelha Espanhola deslocou equipes de psicólogos ao aeroporto de Madri e à cidade de Las Palmas de Gran Canaria para atender as vítimas e seus parentes.

Como é comum neste tipo de acidente, as autoridades se mostraram cautelosas e deram informações gradualmente, o que aumentou o sentimento de ansiedade.

O pai da passageira Leticia Morillo contou que não sabia nada da filha, que falou com ela antes da decolagem, mas que agora seu celular está "fora de área".

Outro parente de um passageiro do vôo disse que seu neto pequeno estava no avião da Spanair e, embora acreditasse que "a criança está bem", reconheceu não ter notícias claras sobre o que aconteceu.

Outros parentes de passageiros optaram por viajar até Madri em um avião fretado pela companhia Spanair.

A cidade de Madri e o Governo da região onde fica a capital da Espanha decretaram três dias de luto oficial a partir da quinta-feira, em sinal de luto pelas vítimas do acidente aéreo. EFE pi/an

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