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Piñera, o empresário que fez possível o retorno da direita ao poder no Chile

Santiago do Chile - O empresário Sebastián Piñera Echenique, um dos homens mais ricos do Chile, se tornou neste domingo o candidato que fez possível o retorno da direita ao poder pela via democrática, após meio século de ausência.

iG São Paulo |

 

Piñera, que simpatizou com a Democracia Cristã chilena quando era jovem e votou contra a continuidade do ditador Augusto Pinochet, fez com que a direita conquistasse o poder democraticamente pela primeira vez desde o triunfo de Jorge Alessandri em 1958.

O presidente eleito o alcançou graças ao desgaste da Concertação após vinte anos no poder e a um slogan de campanha tão simples como efetivo: "Una-se à mudança".

AP
Piñera (esq.) recebe os cumprimentos do candidato derrotado, Eduardo Frei

Piñera (esq.) recebe os cumprimentos de Eduardo Frei

"Nosso Governo trará mais alegria, paz e felicidade a todos os lares chilenos", assegurou Piñera, comparado por alguns veículos de imprensa ao primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, pelo fato de ser dono de um clube de futebol e de um canal de televisão, e por ter passado por uma cirurgia estética.

Embora na Coalizão pela Mudança que ele representa exista até um ex-ministro do presidente Salvador Allende, uma pesquisa da empresa de consultoria Mori revelou esta semana que a maior parte dos eleitores de Piñera defendem o regime de Augusto Pinochet (1973-1990) e o identificam como "francamente conservador" com uma pontuação de 8,9 em uma escala na qual 10 é extrema direita.

"Pinochet deixou de ser presidente há vinte anos. Eu não pretendo ser guarda do passado, mas o construtor do futuro", garantiu Piñera durante um debate televisivo com seu oponente, o ex-presidente Eduardo Frei, candidato da Concertação pela Democracia.

Nascido em Santiago do Chile em 1949 no seio de uma família de classe média, Piñera foi o terceiro dos cinco filhos de Magdalena Echenique e José Piñera, um engenheiro e diplomata que participou da fundação da Democracia Cristã.

Doutor em Economia pela Universidade de Harvard e um dos investidores mais bem-sucedidos da América Latina, este político e empresário casado em 1973 com Cecilia Morel e pai de quatro filhos já foi candidato à Presidência do Chile há quatro anos, mas perdeu para Michelle Bachelet.

Piñera foi senador entre 1990 e 1998 pela Renovação Nacional, um dos dois partidos da direita chilena, muitos de cujos dirigentes tiveram participação ativa durante o Governo militar liderado por Augusto Pinochet.

No entanto, ele sempre condenou a violação dos direitos humanos perpetrada pela ditadura, algo que os setores mais críticos veem com desagrado.

Não resta dúvida de que Piñera é um político singular na tradicional direita chilena, pelo menos no que se refere a gostos musicais, já que entre seus cantores favoritos há figuras emblemáticas da luta contra a ditadura.

Seus detratores disseram que ele era um "candidato de laboratório" que usou como símbolo a mesma estrela empregada por Luiz Inácio Lula da Silva, na campanha de 2006, as mesmas frases pronunciadas nos comícios pelo chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em 2007, e o mesmo anúncio na Internet que os seguidores de Barack Obama, presidente dos EUA, em 2008.

Tem fama de ser obsessivo, metódico e ordenado. Trabalha os sete dias da semana e dorme a metade do recomendado, asseguram seus colaboradores.

Seu irmão Miguel conta que Piñera "é um workaholic", gosta de estar em cima de tudo, tanto na política quanto nos negócios.

E é precisamente essa "dupla militância" pública e empresarial a que seus oponentes identificam como seu calcanhar de Aquiles.

Acionista majoritário da companhia aérea LAN e dono de uma fortuna avaliada em US$ 1 bilhão, o candidato eleito da direita, em entrevista à agência Efe, minimizou as críticas pela forma como conquistou sua fortuna, que alguns consideram especulativa.

Piñera também rejeita que haja conflito de interesses como homem de negócios e suas aspirações políticas, embora seus adversários se encarregaram de destacar que, em 1982, quando era gerente geral do Banco de Talca, foi processado por fraude, e que em 2007 foi multado pela Superintendência de Valores e Seguros por comprar ações da LAN fazendo uso de informação privilegiada.

Católico praticante, Piñera é contra o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas apoiou a lei do divórcio.

Além disso, ao contrário de muitos de seus companheiros de coalizão, ele é favorável à distribuição da pílula do dia seguinte e de reconhecer determinados direitos aos casais do mesmo sexo.

Convencido de que a Concertação está esgotada, mas também que é impossível atacar a uma presidente que conta com mais de 80% de aprovação, Piñera não hesita que esta vez os chilenos votaram por alguém que fundamentalmente lhes prometeu "uma nova forma de governar".

*Com informações da Efe*

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