Piñera assume no Chile em meio a réplicas e alerta de tsunami

Por Mica Rosenberg SANTIAGO (Reuters) - O bilionário conservador Sebastián Piñera tomou posse nesta quinta-feira como presidente do Chile, tendo como tarefa mais urgente reconstruir as regiões afetadas por um dos piores terremotos da história, ocorrido há menos de duas semanas.

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Minutos antes de tomar posse, uma série de réplicas fortes voltou a sacudir a capital Santiago e o Congresso, localizado na cidade costeira de Valparaíso. Autoridades estrangeiras demonstraram nervosismo quando o prédio do Congresso tremeu. A Marinha do Chile emitiu um alerta de tsunami para a costa do país.

Os chilenos esperam que o novo presidente, um economista formado em Harvard, use sua renomada capacidade empresarial para ajudar o país, um dos mais estáveis da América Latina, a se recuperar da tragédia que matou centenas de pessoas.

"Ele é um empresário... e é disso que precisamos agora. Alguém que possa criar empregos para os nossos filhos", disse Carlos Fuentes, de 47 anos, pescador que perdeu casa e barco na localidade de Curanipe após o terremoto de magnitude 8,8. "Ele pegou um emprego difícil", comentou o pescador, desembaraçando sua rede com uma faca.

O terremoto pouco abalou a mineração chilena, esteio da economia nacional, mas causou graves danos, na região centro-sul do país, à atividade vinícola, pesqueira e de produção de papel e celulose. Alguns analistas dizem que os prejuízos podem tirar até meio ponto percentual do crescimento econômico neste ano.

O ex-senador Piñera fez fortuna com negócios no setor de cartões de crédito e com sua participação em uma companhia aérea. De acordo com a revista Forbes, ele é uma das pessoas mais ricas do mundo.

Para financiar a reconstrução, o novo governo deve emitir títulos internacionais e aproveitar as reservas advindas da exportação de cobre.

A transferência do poder da popular presidente socialista Michelle Bachelet para Piñera aconteceu numa austera cerimônia com tom menos festivo do que o habitual em respeito ao luto nacional.

As autoridades já identificaram 497 mortos pelo terremoto e pelos tsunamis do dia 27 de fevereiro. O governo chegou a falar em 802 mortos, mas reduziu a cifra ao perceber que ela incluía por engano listas de desaparecidos.

(Reportagem adicional de Alonso Soto em Curanipe)

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